Opinião

O parecer e o ser

Ser católico deverá ser centrar-se no bem-estar do próximo, ser humilde e abominar a ganância. Uma escola que transporte este substantivo deveria orgulhar-se dos seus objetivos basearem-se no interesse da sociedade, dos seus cidadãos, caracterizar-se pela humildade e filantropia, em vez de pretender criar um curso de Medicina a todo o custo.

Mas Portugal necessita de mais um curso de Medicina e, a ser necessário, privado? Existe um número considerável de alunos portugueses no estrangeiro. Mais um curso de Medicina poderia resolver este problema? E o que fazer aos cerca de 4000 médicos estrangeiros no nosso país?

Portugal tem no Serviço Nacional de Saúde apenas 27 mil médicos, pelo que a média de 2,7 por mil habitantes é muito abaixo da União Europeia. Porque é que o SNS não consegue ser apelativo para os médicos?

É evidente que podemos discutir um novo curso de Medicina apenas baseado na razão entre o número de estudantes e as necessidades do SNS, que podemos, falaciosamente, pretender resolver a saída de alunos para cursos no estrangeiro com mais um nacional ou politizar a criação de um curso de Medicina privado (que levará à abertura de outros). Para o cidadão, o importante é a manutenção da confiança na preservação e garantia da qualidade na formação, a diminuição da taxa de emigração dos jovens médicos e que seja privilegiado o seu ingresso no SNS.

Existe, infelizmente, uma enorme diferença entre o parecer e o ser. Pena é que algumas das instituições mais prestigiadas privilegiem o primeiro, apenas por ganância e imodéstia, esquecendo-se da missão para a qual foram criadas: "servir o país... no espírito que preside à formação humanista cristã". Portugal não lhes ficará reconhecido.

*Presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos

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