Opinião

O valor da água não está no preço

O valor da água não está no preço

O setor privado das águas é alvo de duras críticas: ou ganha muito dinheiro, ou pratica preços muito elevados. Colocar o ónus nas empresas privadas virou moda. Ou estaremos perante uma manobra de diversão para desviar olhares mais atentos?

Utilizar o preço como fator decisivo para a concessão da água ser privada ou pública é, no mínimo, demagógico. De acordo com uma notícia publicada recentemente no JN, o encargo anual de uma família com a água em Santo Tirso/Trofa (entidade privada) é seis vezes superior ao de uma família que consome o equivalente em Peso da Régua (entidade pública). Se analisarmos outros indicadores, em 2017, Peso da Régua tinha perdas de água de 74%, enquanto Santo Tirso/Trofa de 10%, sendo a média do país 30%. Aliás, os dados da Entidade Reguladora mostram que as dez entidades com desperdícios acima dos 60% são públicas, enquanto as oito com valores abaixo dos 15% são privadas.

A diferença está entre uma gestão cuidada e ambientalmente responsável e outra que promove o desperdício e não investe em combatê-lo. Segundo o estudo "Análise de desempenho Operadores Públicos e Privados no Setor da Água em Portugal", do Instituto Superior Técnico, de 2017, "operadores privados revelam maior eficácia ao nível da realização dos investimentos, prestam uma melhor qualidade de serviço e, em condições equiparáveis, praticam tarifas e encargos mais módicos".

Comparando o comparável, as tarifas praticadas pelos privados são muito mais baixas e muito menos lesivas para o interesse público. Porque a água é cada vez mais um bem escasso que temos de saber cuidar e preservar, então, o seu valor não pode estar somente no preço.

CEO do Grupo Aquapor

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