Opinião

Omeletes sem ovos

Qualquer crise, fosse de que tipo fosse, só serviu porque foi ultrapassada. É como temos de as encarar e parece-me que é como a maior parte dos portugueses está a olhar para a onda de desgraça que nos atingiu. Passada a fase do lamento copioso entramos na fase do "vamos lá aprender a viver com isto".

Na segunda crise económica que o país enfrenta no espaço de uma década, tornam-se mais evidentes as fragilidades no Ensino Superior, onde as famílias têm cada vez mais dificuldade em suportar as despesas de terem os seus filhos a estudar, como demonstrou um estudo que a FAP publicou em junho deste ano. Ao mesmo tempo, há um esforço de retornar às universidades e politécnicos no próximo ano letivo.

Planeia-se o regresso às aulas baseado em vários cenários que possam adaptar-se a eventuais regressões nas medidas de desconfinamento. Ainda assim, a praticamente um mês de iniciarmos o próximo ano letivo continuamos sem perceber que regras sanitárias serão aplicadas (As dos teatros? As dos aviões?) e decerto ninguém esperará que uma instituição consiga planear o regresso dos seus estudantes sem sabermos se conseguimos ter 20, 60 ou 100 pessoas numa sala ou auditório. Continuam a faltar orientações do Governo! Ao mesmo tempo, não há sinais de reforço para a ação social e os Serviços de Ação Social das instituições estão estrangulados com a falta de receitas dos últimos meses. Não esqueçamos que são estes os serviços que efetivam a maioria da ação social indireta. Continuam a faltar sinais do Governo!

Fazer omeletes sem ovos é uma expressão para situações em que o resultado esperado é impossível com os recursos disponibilizados. Parece-me adequado para este momento do Ensino Superior.

*Presidente da Federação Académica do Porto

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