Opinião

Putinas nas esquinas da Europa

Putinas nas esquinas da Europa

Os principais argumentos para a normalização de forças políticas radicais é não terem responsabilidades nos problemas do país e até defenderem algumas causas justas na oposição. Mas essa é uma forma errada de avaliar o risco de forças políticas que nunca exerceram o poder.

O melhor indicador do risco de partidos que nunca exerceram o poder é perceber quem escolhem apoiar entre aqueles que realmente o exercem. São um indicador da forma como exerceriam o poder se o tivessem. Com a recente invasão da Ucrânia, será útil rever quem na Europa apoiou ou desculpou as ações de Putin ao longo dos anos.

Primeiro, o PCP que é hoje o grande rosto em Portugal (e um dos poucos na UE) do autoritarismo sanguinário de Putin, algo que já tínhamos percebido a propósito da Bielorrússia. Nada de muito novo para quem tenha estado atento a outros apoios no passado. O PCP é isto e só os mais desatentos poderiam pensar ser outra coisa.

A direita radical europeia tem também, desde há muitos anos, relações próximas com Putin. Salvini, que ainda há pouco tempo veio discursar a Portugal, é um fã assumido do líder russo, havendo mesmo gravações em que se discutem esquemas de financiamento russo ao seu partido. Já Le Pen teve uma das suas campanhas financiadas por um banco russo e foi recebida no Kremlin algumas vezes. Pese embora as relações próximas com Putin de alguns dos seus amigos europeus, o Chega condenou a invasão russa da Ucrânia.

O mesmo aconteceu com o BE que mudou radicalmente o tom do discurso depois de inicialmente desculpar as ações da Rússia com o "imperialismo americano". A esquerda radical europeia tem um historial de proximidade com Putin, cavalgando o ódio comum aos EUA. Por exemplo, em 2015 Tsipras usou várias vezes o trunfo de uma aproximação a Putin para chantagear a UE. Na medida em que a Rússia só invade países que não pertencem à NATO, não há nada que interesse mais a Putin do que o fim da NATO, algo que a esquerda radical defende há muitos anos.

A prioridade hoje é a paz. Depois da paz, virão as lições para o futuro da política europeia, longe dos extremos que partilham o ódio de Putin aos valores ocidentais.

Economista e diretor-executivo do Instituto +Liberdade

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