Ainda há quem tente resistir. Por entre a deserção dos EUA e a desistência cúmplice dos seus aliados, há no Afeganistão quem não se renda. Entregue à sua sorte da noite para o dia, o povo afegão desespera.
Muitos, sem outra alternativa, dirigem-se em massa ao aeroporto na esperança de serem resgatados pelas forças militares. Outros tantos tentam fugir em direção aos países vizinhos, na expectativa de serem acolhidos enquanto refugiados. São milhares de homens, mulheres e crianças que tentam fugir de um passado que julgavam enterrado.
Ainda assim, há no Afeganistão uma província que tenta resistir à ofensiva dos insurgentes. A apenas 150 km de Cabul, no vale de Panshir, no Norte do país, fica o último reduto da resistência à ofensiva dos talibãs. A resistência na região, conhecida como Frente Nacional de Resistência (FNR) no vale Panshir, é liderada por Ahmad Massoud, filho do comandante Ahmed Shah Massoud, que foi assassinado em 2001 pela Al-Qaeda. É aqui que se encontram reunidos alguns dos decisores políticos que não abandonaram o país, preparados para tentar negociar um acordo de paz que passe pela descentralização do Governo e pela implementação de um sistema de Governo que garanta a justiça social, a igualdade de direitos e a liberdade para o povo afegão.
Outro sinal de coragem surge-nos do canal televisivo afegão Tolo News que, após a tomada de poder no país pelos talibãs, colocou uma jornalista mulher a entrevistar o porta-voz do movimento fundamentalista e manteve uma repórter nas ruas de Cabul. A Tolo News é considerada uma estação televisiva independente e inovadora no Afeganistão, que contrasta com o espírito fundamentalista e profundamente radical dos talibãs.
Apesar da debandada do Ocidente, há ainda no Afeganistão quem se mobilize em torno dos valores da democracia e da liberdade. São ténues sinais de luz que subsistem no meio da penumbra que assola novamente a vida do povo afegão.
*Gestor
