A crise sanitária que atravessamos não pode ser desculpa para a onda de nacionalizações a que estamos a assistir.
Em nome de uma linha ideológica, tomam-se decisões que são apenas e só isso ideológicas. Não temos discussão pública. Não temos documentos estratégicos. Falo da TAP, como posso falar da Efacec. O critério, a ponderação, a visão de futuro logo se pensa. Antes tomam a decisão de nacionalizar. Isto não é governar. Isto não é ter a capacidade de pensar o nosso futuro com estratégia. A estratégia ficou para um paraministro de quem já não se ouve nada. Até lá, vamos assistindo a um Governo que põe e dispõe sem ampla discussão. Um Governo que precisa de ser fortemente escrutinado, mas que tem também, no meio do caos económico que o Mundo atravessa, de pensar onde e como pode fomentar uma economia que não tem turismo. E sem turismo, este país tem um horizonte dramático pela frente. Nacionalizar a Efacec, uma boa empresa nacional, bem como a enorme trapalhada que tem sido a TAP, é hipotecar os recursos de que dispomos. E nesta fase, não podemos desperdiçar esses mesmos recursos. Um Governo que devia estar focado em encontrar formas de como alterar a decisão do Reino Unido, que será dramática para o nosso setor hoteleiro e da restauração, e que precisavam de forte diplomacia e, novamente, uma estratégia. Sentimos que esta governação à vista nos pode colocar fortes problemas de futuro. Bem sei que vivemos um momento especial na nossa história, onde o pensamento único parece reinar, mas não contem comigo para esse uníssono se a banda toca e o navio afunda. Farei sempre oposição firme aos que tentam hipotecar o nosso futuro.
Engenheiro e autarca do PSD
