O Serviço Nacional de Saúde (SNS) corresponde a uma das principais evoluções civilizacionais da nossa democracia. E é especialmente valorizado devido à sua natureza universal, solidária e equitativa, o que o transforma numa poderosa ferramenta de justiça social.
Para cumprir cabalmente a sua missão, o SNS deve funcionar como um sistema de vasos comunicantes, em rede, de modo a que haja disponibilidade imediata para suprir as necessidades que existam em qualquer ponto de uma determinada região. E esta noção deve ser transmitida às populações e aos diferentes agentes da saúde, dado que perpassa por vezes uma ideia errada a este propósito.
Cada unidade de saúde, por exemplo um hospital, independentemente da autonomia de gestão estatutariamente consagrada, deve articular-se adequadamente com o conjunto do SNS, de modo a que a eficiência e a eficácia do sistema sejam otimizadas.
Para o efeito, é importante que médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde, gestores e decisores políticos percebam a importância da integração de cuidados de saúde. Esta é, talvez, a área onde temos de evoluir mais rapidamente. Desde logo, a nível regional. Esta integração descentralizada tem de recorrer às novas tecnologias de informação e comunicação, que, sendo já hoje uma ferramenta essencial no âmbito clínico, por exemplo nos cuidados de saúde primários, deve estender-se definitivamente a todo o SNS.
A telemedicina é um bom exemplo. Pelo que a implementação de uma intranet da saúde deve ser imediata, e a interoperabilidade das diferentes redes digitais deve ser rapidamente promovida, de modo a poder estabelecer-se uma comunicação eficaz entre as diferentes unidades de saúde. Contribuindo assim também para uma articulação mais eficaz dos diferentes níveis de cuidados, incluindo os cuidados continuados.
Partindo do princípio de que o SNS deve funcionar em rede, como um harmónio, planear estrategicamente as necessidades em saúde é outro fator a ter em consideração, se desejamos uma gestão dinâmica dos recursos. Ou seja, integração e planeamento são ferramentas essenciais para garantir que o SNS corresponde às expectativas sempre crescentes da população.
*Professor catedrático da Faculdade de Medicina do Porto
