Opinião

Sobra o dinheiro na ADSE mas falta a saúde

Sobra o dinheiro na ADSE mas falta a saúde

Segundo notícias não desmentidas, a ADSE terá acumulado mais de 1100 milhões de euros em saldos depositados na IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, liquidez que não pertence ao Estado mas que está à sua plena disposição, sem vencer juros ou produzir qualquer utilidade para os Beneficiários da ADSE que financiaram os superavits responsáveis por esse património financeiro.

Ao mesmo tempo, todos os dias conhecemos casos de funcionários públicos no ativo ou pensionistas a quem é vedado o acesso a cuidados imprescindíveis ao melhor tratamento das suas doenças por não haver prestadores disponíveis na sua região ou que são forçados a pagar do seu bolso cuidados diferenciados que a ADSE entende não deverem ser comparticipados.

Por outro lado, são recorrentes as razões de queixa dos Beneficiários relativamente aos prazos de reembolso das despesas de saúde, injustificavelmente demorados e, ao que tudo indica, absolutamente dependentes da ineficácia administrativa da ADSE e do capricho financeiro do Ministério das Finanças.

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Com este quadro de absurdos e irracionalidades que prejudicam aqueles que são a única razão de existência do subsistema ADSE (os seus beneficiários) não é de admirar que as novas gerações de funcionários públicos fujam para os seguros de saúde e deixem o subsistema público num caminho de insustentabilidade.

Mas como é que chegámos a uma situação em que na ADSE há dinheiro a mais e saúde a menos, sem que os funcionários públicos - que tudo pagam - manifestem, alto e bom som, o seu descontentamento e a sua revolta com a incompetência e o desleixo de quem gere o subsistema?

Creio que a explicação é simples: na ADSE não há escrutínio independente nem verdadeira representação dos interesses dos beneficiários, porque o Conselho Geral de Supervisão tem preferido ser cúmplice de um status quo negligente e incapaz de encontrar soluções para os problemas existentes.

Na próxima eleição para o CGS da ADSE, em 28, 29 e 30 de novembro, é importante que todos os beneficiários da ADSE participem, votando, para acabar com este estado de coisas.

Só a representação competente, decidida e independente dos interesses reais dos beneficiários pode gerar o impulso e as iniciativas que obrigarão a gestão da ADSE a ser tecnicamente moderna, transparente, criativa e completamente focada nas legítimas expetativas dos funcionários públicos que financiam a ADSE.

*médico dentista e professor universitário

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