Uma inverdade tantas vezes repetida pode tornar-se uma verdade. Assim se criam "elites", a quem tudo se garante e, por oposição, se relegam outros a "profissionais de segunda", que se procura empurrar para a "caridade", porque assim se conseguirá (pensam) uma justiça e segurança, sobretudo, controlada.
Daí que, quiçá, o poder político (receoso de que também lhe possa "calhar" alguma investigação) tem vindo a privilegiar a tal "elite" (com recursos e vencimentos desproporcionais a colegas de outras polícias que desempenham funções iguais).
E daí que, quiçá, a Comunicação Social (alinhada ou receosa por perder fontes) vá selecionando as notícias.
Desapareceram 200 armas das instalações da PSP e o caso foi tratado de forma transparente, com largo destaque na Comunicação Social e intervenção pública dos altos responsáveis do Estado.
Depois, desapareceram 200 armas das instalações da PJ e, com exceção de uma pequena notícia num jornal, nada mais se falou; a televisão não se sobressaltou e o poder político nem se incomodou.
Aconteceu "Tancos", onde os arguidos foram prontamente condenados na Comunicação Social e onde foram de arrasto magistrados que tinham sido "detetados nas escutas". Nesse mesmo processo, o anterior diretor nacional da PJ foi, supostamente, também ouvido a alertar suspeitos que estavam a ser investigados, mas nada aconteceu à data e ainda agora não se sabe o que aconteceu, se é que aconteceu.
Dir-se-á que a Polícia de Segurança Pública não se escusa a ser uma instituição transparente que presta contas à sociedade... E que assim continue.
Até lá, as narrativas noticiosas "condenam" uns e "protegem" outros!
Até lá, a elite vinga; a democracia e a justiça não!
*Presidente do SNCC/PSP
