Opinião

As ideias ou a falta delas

As ideias ou a falta delas

Os debates políticos numa campanha para uma eleição legislativa são, devem ser, mais do que um momento de ataque e contra-ataque entre candidatos. Representam uma oportunidade de confronto democrático entre propostas e visões de desenvolvimento para a sociedade portuguesa.

Nos partidos da governação, PS e PSD, as diferenças são de dose ou de tonalidade. António Costa e Rui Rio defenderam a manutenção do Estado social tal como está, com ligeiras diferenças. Segurança Social pública, acesso e estrutura do Serviço Nacional de Saúde nos mesmos termos (com alterações de complementaridade mas mínimas), redução de impostos (um entende que a descida deve ser primeiro no IRS, o outro no IRC), mas ambos acreditam no atual modelo de progressividade com imensos escalões (IRS) e defendem a escola pública. Ou seja, PS e PSD acreditam no mesmo status quo, dizem é que aplicariam outra racionalidade. As suas propostas não representam portanto uma diferença, muito menos uma mudança, mas sim uma oferta de gestão diferenciada.

Não estão neste texto em causa visões ideológicas, mas tão-somente olhar para o que nos foi servido nos debates.

Na verdade, as novas propostas políticas que podem representar uma mudança de paradigma surgiram dos pequenos partidos.

Vejam-se, só para citar dois exemplos, as ideias da Iniciativa Liberal para a redução significativa de impostos sobre pessoas (flat tax); seguro de saúde universal que garanta liberdade de escolha na Saúde e um sistema misto de financiamento de pensões. Ou, à Esquerda, o Livre, que avançou com o rendimento incondicional, atribuição de subsídio de desemprego a quem se despede (mediante condições específicas).

Merece também reflexão a quase ausência de debate sobre temas com impacto na vida das pessoas, como as questões da habitação e o problema da escalada de preços de aquisição e arrendamento.

Ou a inflação, que implica o aumento dos custos da energia e de bens essenciais, já para não falar da natalidade e da demografia, da coesão territorial ou da regionalização. Espaço para apresentar ideias não faltou. Mas parece que faltam as ditas, que nos poderiam fazer olhar de outra forma para o futuro.

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Diretor-geral Editorial

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