Opinião

Os ganhos e as perdas do PCP

Os ganhos e as perdas do PCP

Há dois momentos que colocam o PCP no centro da vida política do país e que determinarão, e muito, a capacidade de resistência eleitoral do partido.

O primeiro tem diretamente a ver com a abstenção que permite a aprovação do Orçamento do Estado. Com a saída do Bloco da mesa das negociações, por razões incompreendidas pelos portugueses, por muito que se tente fazer powerpoints com os motivos, o palco fica quase exclusivamente entregue aos comunistas.

Podem perder a médio prazo pela colagem aos socialistas, como sucedeu na passada legislatura em todos os momentos eleitorais e perante a estratégia dos bloquistas, que conseguiram capitalizar mais com a comunicação das conquistas orçamentais. Mas é inegável que o Orçamento tem algumas marcas importantes para o PCP, mesmo que poucas, somando ainda a dignidade de ter sido comedido na loucura que tomou conta da oposição na apresentação de propostas (mais de 1300) de alteração ao Orçamento, e de assegurar estabilidade política num tempo em que o país atravessa a tempestade de uma crise sanitária, económica e social.

Faltou ao PCP, e entramos no segundo momento, discernimento para perceber que a realização do congresso deste fim de semana é um duro golpe no sentimento de responsabilidade institucional que cultiva.

Percebem-se os argumentos: a pandemia não pode capturar a participação política e muito menos a democracia. Mas entende-se menos que os comunistas não tenham sido capazes de avaliar a perceção que criaram nos eleitores e nos militantes de que o voto favorável no Orçamento serviu de moeda de troca. Sobretudo porque não está em causa um evento inadiável, ou em que a participação política seja comprometida em caso de alteração de data.

O simbólico, aqui, ganha hoje, mas perde muito amanhã. E o país, cada vez mais extremado, precisa da responsabilidade dos agentes políticos.

Diretor-Geral Editorial

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