Opinião

Os rostos da TAP e da Efacec

Os rostos da TAP e da Efacec

Ter esperança no melhor. Esperar o pior. Quando se olha para a forma como o Estado gere a coisa pública, é mesmo uma questão de fé.

E esse é agora o maior desafio do Governo, depois da nacionalização da Efacec e da tomada de controlo da TAP: escolher gestores capazes e que não sejam vistos aos olhos dos portugueses como militantes encartados para quem era preciso encontrar um lugar.

São casos distintos, é verdade, de dimensões e valores diferentes. A Efacec é uma empresa com características únicas, exportadora e em risco de sucumbir desde o arresto dos bens de Isabel dos Santos. O Governo teve de intervir para tirar a empresa do sufoco. É uma nacionalização transitória, mas o Estado não só não sabe o que vai encontrar, como o sucesso da reprivatização depende de quem agora a gerir.

Havia outra saída que não a nacionalização? Os defensores do Estado minguado entendem que sim, que as empresas sem viabilidade não têm razão de existir. Não é o caso da Efacec, com mercado, tecnologia e recursos humanos. E o Governo atuou em segredo, salvando o que tinha de salvar.

O mesmo princípio se aplica à TAP, por uns e por outros. Com uma diferença de uns largos milhares. E esse é o ponto que ditará o futuro de António Costa. Ninguém perceberá os milhares de milhões necessários para salvar a empresa, num país onde as diferenças sociais são abissais, onde o investimento na Saúde é paupérrimo, onde infraestruturas básicas como a ferrovia são o que se sabe.

Sobram os custos sociais da reestruturação. Os que hoje aplaudem o primeiro-ministro serão amanhã os primeiros a gritar em frente a S. Bento. E é por isso que é tão relevante a escolha dos rostos. Vamos acreditar.

*Diretor

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