Opinião

Outra vez a descentralização?!

Outra vez a descentralização?!

Há duas subtilezas de elefante em loja de porcelanas no título que encima este artigo. A primeira decorre da interrogativa. Falar da descentralização administrativa neste país provoca sempre um esgar de fastio nas elites que governam. Pior, nas elites que se "alisbonam", com todos os danos sociais, políticos e económicos que daí advêm para todo o território.

Os "alisbonados" são pessoas cheias de boa vontade que percebem, melhor do que ninguém, a massa de que somos feitos e que rapidamente intuem que o país é pequeno, logo sem necessidade de políticas que aproximem as pessoas dos centros de decisão, para também elas poderem decidir, logo se é tão pequeno concentre-se tudo na capital porque quem vai do Porto a Lisboa vai da Guarda a Lisboa e de Beja a Lisboa e de Bragança a Lisboa. Esses "alisbonados" são alentejanos, algarvios, portuenses, bracarenses ou transmontanos que até gostam das suas origens, mas que rapidamente se esquecem de quem deixaram nas suas origens.

Portanto, um fastio, essa coisa da interrogativa. E se o resto do país não interroga, se parece que só o Norte o faz, é porque o resto do país tem pouca voz. Mas o Norte ainda a tem, a voz. Em nome do país todo.

A outra subtileza tem a ver com uma palavrinha mágica: descentralização. E junte-se-lhe administrativa. Não se fala de regionalização, esse papão. Mas esta é mais uma tentativa de fazer com que as decisões estejam próximas das pessoas. E aqui não faltam soluções. A que o presidente da Área Metropolitana do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, alinhado com o homólogo de Lisboa, Fernando Medina, avança hoje no JN é um caminho de futuro. Como o era a proposta de Rui Moreira para a criação de parlamentos regionais compostos por autarcas.

Seja qual for a decisão, o que é urgente é que se debata a organização do Estado e se avance com soluções. Porque parece óbvio que o território morre todos os dias até não haver território para discutir. Exceto Lisboa e Porto.

P.S. Já aqui o escrevemos. O Livre de Rui Tavares não tem na deputada Joacine representação parlamentar. De que é que Rui Tavares está à espera para agir?

Diretor

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