Opinião

Perguntas que precisam de resposta

Perguntas que precisam de resposta

Da conjuntura nacional de incerteza económica e sanitária dos dias em que vivemos, e de instabilidade política pelo aparente esgotamento da solução de 2015 com o chumbo do Orçamento do Estado, resulta uma dupla preocupação na generalidade da população portuguesa.

Primeiro: Um regresso às maiorias absolutas ou a permanência de soluções maioritárias através de coligações ou de acordos de incidência parlamentar? E qual o tempo de estabilidade política que a solução proposta pode oferecer?

Segundo: Quais são as medidas políticas e as ideias concretas para que o eleitorado possa percecionar com objetividade que respostas tem face ao clima de incerteza que se vive? O que vão fazer os partidos para combater a inflação, as taxas de juro (habitação), a degradação de serviços públicos, ou, na área económica, a execução dos milhões da Europa do Plano de Recuperação e Resiliência, a famosa bazuca?

Quando não há respostas, somam-se as perguntas. Quais são as soluções concretas para fazer face aos crescentes custos de energia, que impactam diretamente na vida das empresas e das famílias? E face à subida dos preços de bens essenciais num país onde cerca de dois milhões vivem no limite do aceitável? Para quando uma rede de creches que satisfaça as necessidades das famílias que moram em ambiente urbano? E quanto à escola pública, que precisa de ganhar competitividade face à crescente importância do ensino privado, que afunila a função de elevador social que só a Educação pode promover? E como é que se lida daqui para a frente com a pandemia, o maior fator de incerteza destes dias, sem que a economia fique bloqueada e protegendo um Serviço Nacional de Saúde estafado?

Na campanha, a começar pelos debates, poucas ideias concretas se têm visto. Pouco mais do que a exploração das inseguranças do eleitorado face ao quadro parlamentar que se adivinha poder sair das eleições do próximo dia 30. E essa sensação de fadiga instalada, sem respostas aparentes para os problemas com que se confrontam os portugueses, tem como consequência evidente a fragilização da Democracia. Saímos todos a perder.

*Diretor-Geral Editorial

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