Opinião

É preciso priorizar a escola

É preciso priorizar a escola

Titulava este jornal ontem que as infeções em crianças triplicaram na primeira semana de aulas. E vão aumentar por estes dias, resultado dos testes que as escolas estão a promover junto dos alunos. Ora, este número avassalador de estudantes em isolamento deveria impor medidas urgentes. Já e em força.

Até há pouco tempo, um aluno infetado confinava uma turma. E todos iam para casa, passando o ensino a fazer-se remotamente. Agora, apenas o caso positivo fica em confinamento. Isso significa que os colegas continuam a desenvolver as suas aprendizagens na escola e quem está doente deixa de contar com aulas à distância. Poder-se-ia considerar esta situação excecional, se envolvesse pouca gente. Acontece que hoje há um número considerável de estudantes infetados e os professores enfrentam um dilema enorme: dar matéria nova a uma turma amputada de muitos elementos ou fazer compasso de espera para que ninguém fique para trás e ir atrasando significativamente os programas. Não é fácil fazer opções nestas circunstâncias.

Ontem, quando seguia as notícias sobre os testes que as escolas estavam a promover, ia ouvindo médicos a falar de um quadro de aumento significativo do número de infetados. É um facto. Todavia, é preciso desconstruir estes dados quantitativos e analisar o que significam... Significam muito para uma geração que, pelo terceiro ano letivo consecutivo, enfrenta períodos escolares em verdadeiras convulsões.

O Ministério da Educação, que tem estado em silêncio, precisa de falar. A comunidade escolar necessita de orientações. Daqui a alguns anos, vamos perceber melhor a dimensão deste vazio que, por razões excecionais, estamos a impor a esta geração e as consequências que isso trará para uma sociedade que viverá com alguns desequilíbrios, no que às aprendizagens de base diz respeito.

Quem hoje está no quarto ano passou três anos do Ensino Básico com uma aprendizagem profundamente alterada e com recreios substancialmente condicionados. Quem hoje é finalista do Ensino Secundário viveu este ciclo entre confinamentos. Também o Ministério do Ensino Superior deveria analisar bem a situação dos alunos finalistas das licenciaturas de três anos que este ano dirão adeus à universidade sem ter tido a oportunidade de conhecer uma vida académica.

Até agora, tivemos um discurso muito concentrado na saúde. Precisamos muito de ouvir a comunidade escolar, sobretudo professores e alunos. Precisamos que eles nos expliquem melhor este pesado presente, para que o futuro não constitua uma (penalizadora) surpresa.

Prof. associada com agregação da UMinho

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