Opinião

A Santa Sofia, local de (des)encontros

A Santa Sofia, local de (des)encontros

A antiga Basílica de Santa Sofia em Istambul, na Turquia, vai voltar a ser uma mesquita. O Supremo Tribunal da Turquia deu luz verde a essa pretensão do presidente da Turquia, Recep Erdogan.

A Santa Sofia foi construída no século VI no local em que se encontrava a Catedral de Constantinopla, que tinha sido destruída por um incêndio. É um marco na arquitetura religiosa e serviu de modelo para igrejas cristãs e para mesquitas, nomeadamente a Mesquita Azul edificada pelo sultão Ahmed no século XVII, que se encontra em frente da Santa Sofia.

A designação não se deve a ter por padroeira uma santa com o nome de Sofia. O seu nome vem-lhe da dedicação a Jesus Cristo, a Sagrada Sabedoria, em grego Sophia. Foi a maior igreja do Mundo até à construção da Catedral de Sevilha. Hoje, a maior é a Basílica de S. Pedro no Vaticano.

Com o aparecimento da Igreja Ortodoxa, no século XI, converteu-se na sua igreja de referência, como S. Pedro é para os católicos. Só entre 1204 e 1261, quando a Quarta Cruzada conquistou Constantinopla, é que foi uma catedral católica. Com a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano, no século XV, foi transformada em mesquita até 1931. Nesse ano Kemal Atatürk, o presidente fundador da Turquia, converteu-a em museu.

O patriarca ecuménico de Constantinopla classificou a decisão do atual presidente turco como "absurda" em pleno século XXI e considerou que é "prejudicial que Santa Sofia, que agora permite que dois povos se encontrem e admirem a sua grandeza, se possa tornar novamente num motivo de oposição e confronto" entres cristãos e muçulmanos.

Em junho, quando se começou a falar da vontade de Erdogan em transformar o museu numa mesquita, o patriarca arménio de Constantinopla, Sahak Mashalian, propôs que a Santa Sofia abrisse ao culto, não só para muçulmanos, mas também para os cristãos.

Esta seria a solução ideal, quer por respeitar a finalidade para que foi construída - um local de culto -, quer por se tornar num espaço de convivência inter-religiosa. Dessa forma, contribuiria para a aproximação e o bom entendimento entre religiões e culturas diferentes.

*Padre

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