Opinião

Eutanásia: a luta da Igreja é outra

Eutanásia: a luta da Igreja é outra

A Igreja viveu demasiado tempo em ambiente de cristandade. Habituou-se a coroar reis e imperadores e a impor as suas leis às sociedades. Com a secularização, porém, todo esse quadro se alterou. A Igreja continuará a defender a vida humana até à morte natural. Mas terá cada vez mais dificuldade em impor a sua cosmovisão à sociedade. Desta vez, a eutanásia não foi aprovada, em Portugal. Todavia, as iniciativas repetir-se-ão, até que acabará por ser despenalizada. De qualquer forma, mesmo que seja lícito fazê-lo, os católicos não serão obrigados a pedir a eutanásia. Também os médicos católicos não serão obrigados a fazê-la. O que os católicos podem e devem fazer é esforçar-se para que as respostas das instituições que funcionam na sua órbita dedicadas a idosos e a doentes terminais não sejam armazéns em que as pessoas são depositadas, mas espaços em que estas se sintam amadas, acolhidas e tratadas em todas as suas dores, de tal forma que nunca peçam a eutanásia. Na exortação "Gaudete et exsultate", o Papa esclarece que "igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram e se debatem na miséria, no abandono, na exclusão, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura e em todas as formas de descarte". Ou seja, defender a vida é muito exigente. Inclui, desde logo, a luta contra a pobreza e a exclusão social.

* PADRE

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