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Francisco Seixas da Costa

A nova comissária

Elisa Ferreira será a sexta pessoa, indicada por Portugal, a integrar a Comissão Europeia, desde a nossa entrada para as então Comunidades, em 1986. Não será a "comissária de Portugal", porque os comissários, embora indicados por cada um dos governos nacionais, não representam formalmente, na sua ação na Comissão, o seu país de origem. Compete-lhes assumir o interesse geral da União Europeia, embora uma regra não escrita acabe por admitir que, na sua presença no colégio de comissários, eles para aí carreiem a "sensibilidade" do país que os indica. Mas é falsa a ideia de que um comissário pode atuar como uma espécie de funcionário do país no seio da Comissão, aí defendendo abertamente os seus interesses nacionais.

Francisco Seixas da Costa

Confiança

Temos visto diversas leituras sobre a crise de legitimidade das instituições, com impacto na emergência dos populismos e no abalo dos modelos tradicionais de representação política. Só o tempo nos ajudará a perceber que conjugação astral se formou que trouxe ao mundo, quase simultaneamente, Trump e Bolsonaro, por um lado, Salvini e Orbán, por outro, que coloca Marine Le Pen na soleira do poder, que dá à extrema-direita alemã inédita representação política. Foi a crise financeira, foram os efeitos nefastos da globalização, é a quebra de valores, a relativização da verdade?

Francisco Seixas da Costa

A mais velha aliança

Há muitos anos, num debate sobre a Europa organizado em Serralves, recordo-me de ter tido uma troca de argumentos com Tristan Garel-Jones, um político britânico que havia desempenhado, no respetivo governo, o cargo de responsável pelos Assuntos Europeus, que eu então ocupava por cá. Garel-Jones era um conservador europeísta, que eu tinha conhecido razoavelmente bem em Londres, e que por lá ficou famoso por ter sido em sua casa que se realizou a primeira reunião da conspiração que acabaria por derrubar Margareth Thatcher.

Francisco Seixas da Costa

O silêncio de Marcelo

Ao contrário do que se diz, a idade traz memória. Pertenço a uma geração que, há umas boas décadas, lia, por vício recorrente, as crónicas de análise política que Marcelo Rebelo de Sousa escrevia na página dois do "Expresso". E, mesmo sem precisão factual, recordo-me de um desses textos em que o analista especulava em torno do "estranho" silêncio de Eanes, então presidente da República, em face de determinada conjuntura. O agora presidente elaborava sobre as razões que motivavam aquele que viria a ser seu antecessor a não se pronunciar, como se entendia expectável, nesse quadro de crise.

Francisco Seixas da Costa

45 anos

E se o "E depois do adeus", o Maia, o Carmo, o outro Marcelo, os tanques, a Grândola, as fardas, o Otelo, a Junta, o Spínola, o cravo, a PIDE, o Zeca, a censura, o MFA, Caxias, o "povo unido", Peniche, o Cunhal, a TV a preto-e-branco e toda a parafernália de datas e de siglas pouco disserem aos que hoje passam "a salto" de Ryanair as fronteiras de Schengen, aos vidrados nos iPad, balanceantes dos iPod, logados nos iPhone, para quantos vão para hostels, sem saberem onde e o que foi Champigny, os bivaques da guerra colonial ou a triste sina nos paradeiros de exílio?