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Francisco Seixas da Costa

Os partidos e o poder autárquico

A democracia criada pelo 25 de Abril entregou grande parte do exercício do poder político aos partidos. No pós-Revolução, as «internacionais» inundaram de dinheiro, através de disfarçadas fundações ou por outras vias, os seus protegidos no espetro político português, com isso vindo a fixar o essencial do leque partidário que aí está. Depois, o condomínio partidário encarregou-se de colocar o Orçamento do Estado a financiá-lo, atento o monopólio consagrado na Assembleia da República. E assim chegámos aos dias de hoje.

Francisco Seixas da Costa

As Nações Unidas têm futuro

As Nações Unidas são uma "criação" americana, como já o havia sido a sua antecessora Sociedade das Nações. No termo da Segunda Guerra Mundial, de que foi o mais destacado vencedor, a América considerou que um órgão regulador dos poderes à escala global seria a solução mais eficaz para a preservação da paz e da estabilidade. E convenceu disso o Mundo. Claro que pretendia que fosse uma "pax americana", porque o "America first", lá no fundo, sempre sobredeterminou todos os gestos de Washington, o que, convenhamos, não deixa de ser natural.

Francisco Seixas da Costa

Abade de Priscos com tripas ?

Ontem, no aeroporto de Lisboa, numa loja com livros (livraria é outra coisa), ouvia-se, bem alto, Toni de Matos. Não sei o que pensavam os estrangeiros daquele estranho "musak" com palavras, por certo o levam à conta de toada melancólica mediterrânica, pelo típico gemido vocálico. Logo a seguir, no altifalante da loja, num "medley" improvável, surgiu Keith Jarret. Como entretanto saí, não esperei para ver se se seguia Quim Barreiros - mas já ninguém se surpreenderia. É que, em matéria de oferta turística, hoje já vale tudo!

Francisco Seixas da Costa

Agora, Angola

A propósito de um artigo no "The New York Times", que há dias sublinhava o facto de capitais angolanos serem hoje muito relevantes na economia portuguesa, vi por aí algumas indignações, de sentidos opostos: dos que entendiam ser tão legítimo como qualquer outro esse investimento, independentemente da origem do capital, e de quantos se escandalizavam com a condicionalidade e a dependência que esses influxos financeiros estariam a provocar na livre vontade de Portugal.

Francisco Seixas da Costa

O provedor

Não vale a pena iludirmo-nos: a questão dos incêndios florestais é muito séria. Tanto pelos imensos danos materiais provocados como pelo descrédito induzido na imagem do Estado. Por muito que alguns, na esfera política, possam não querer aceitar, é uma evidência que está criada, na sociedade portuguesa, a ideia de que a administração do Estado é hoje impotente para gerir, com aceitável eficácia, esta situação, limitando-se a reagir, perante os factos com que se vê confrontada, numa penosa e quase patética navegação à vista.