Opinião

Madonna na província

Madonna na província

Cada vez que Madonna coloca uma fotografia de Lisboa nas redes sociais, faz mais pelo país do que uma campanha de milhares de euros promovida pelo Turismo de Portugal. A diva a apreciar fado, a torcer pela seleção, a levar o filho aos treinos, a correr por Belém: postais que fazem maravilhas pela promoção da capital.

Do contentamento com o elogio de personalidades famosas ao deslumbramento vai um passo pequeno. E tudo indica que o presidente da Câmara de Lisboa o deu sem hesitar. Fernando Medina bem pode invocar clareza na cedência de um terreno municipal para estacionamento da frota da artista. A verdade é que a informação já conhecida deixa muita margem para duvidar da justeza dos procedimentos.

O contrato estará escrito, mas só depois de várias notícias surgiram explicações sobre ele. Não passou por nenhuma reunião de Câmara e o relato público do diretor do Museu Nacional de Arte Antiga é revelador da forma como o processo decorreu. Além das reservas pelos valores cobrados, numa cidade em que o estacionamento é pago a peso de ouro, é no mínimo duvidoso que um cidadão anónimo consiga o mesmo negócio em espaços municipais.

Por mais valiosa que seja a imagem de Madonna, a relação com a Câmara de Lisboa tem de ser igual à de qualquer outro munícipe. A não ser que o executivo camarário decida o contrário numa discussão pública e transparente. Não foi o caso, asseguram os partidos da direita à esquerda, incluindo o BE, suporte de Medina para governar a autarquia.

Nalgumas câmaras pequenas do país, é frequente dar-se um valor excessivo a visitas de membros do Governo, de figuras públicas ou de empresas de grande dimensão a quem se oferecem contrapartidas desproporcionadas para dinamizar a economia local. No fundo, a atitude provinciana é igual em todo o lado. Incluindo na maior cidade do país.

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