O Jogo ao Vivo

Opinião

Eleições presidenciais - o que parece é

Eleições presidenciais - o que parece é

Encerradas as festividades natalícias e de Ano Novo, o país continua para eleições presidenciais e para mais uma fase, ou "vaga", nunca se sabe bem, da pandemia.

A fadiga dos estados de emergência, e, sobretudo, das "medidas" cretinas do Governo em preenchimento desses estados, tende a desvalorizar ainda mais as eleições e a favorecer a abstenção. Pelo que estas semanas devem ser aproveitadas, entre outras coisas, para avaliar o desempenho do poder político em jogo nelas. Mais do que predizer o Marcelo que aí vem, importa olhar para o Marcelo que está e é. Foi o próprio, aliás, que iniciou as "hostilidades" com duas tiradas deletérias, uma numa entrevista e a outra num debate. Ao responder já não sei a quê, o presidente e candidato (condições que sobrepõe ou afasta consoante a conversa lhe interesse ou não) louvou-se no Dr. Salazar: "Em política, o que parece é". Sendo assim, o que é que parece o recandidato presidencial? Apesar do apoio oficial da Direita oficial (PSD e CDS), Marcelo parece o candidato oficioso do Governo, e do PS que está no Governo. Não é. Parece. Desfez três ministros - os senhores e senhoras Temido, Cabrita e Van Dunem -, mas o presidente não tirou consequências disso. Depois, no debate com outra candidata, afirmou ser muito importante o Governo (o desta gente que vagamente o incomoda) manter-se até 2023. E manter-se com o apoio da Esquerda parlamentar, o PC e o Bloco. Parecem vénias às Esquerdas? São. É claro que ainda sobram três semanas para vir à tona o Marcelo que eu conheço de antes dos 20 anos que ele próprio demarcou quando apresentou a recandidatura.

Ou o Marcelo deste milénio é diferente do anterior? Só "começou" em 2000, nas televisões, e, em 2016, a aquecer corações socialistas, entre os quais se destacam vinte e tal luminárias da seita, agora nos negócios e em fundações? Parece, não sei se é. Não se retire do que vai dito qualquer acrimónia contra o presidente recandidato. Pode parecer, mas não é. Constitui, antes, um juízo severo de um seu eleitor de há cinco anos. E que sabe separar apreciações pessoais das políticas. Não existem "afectos" políticos, pelo menos comigo. Há crítica ou aplauso, quando devidos. E exigência, sempre. Se assim não fosse, mais valia continuar a "eleger" almirantes Tomás em câmaras restritas. Tem faltado autenticidade a Marcelo. Não foi por acaso que um outro candidato, Vitorino Silva, proferiu a frase-chave da pré-campanha. O grande adversário de Marcelo é o próprio Marcelo. (continua)

Jurista

o autor escreve segundo a antiga ortografia

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG