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Opinião

A nossa alegre casinha

A nossa alegre casinha

Por via das opções dos conteúdos televisivos, de serviço público ou não, o país vai tomando conhecimento do seu frívolo estado. Assumem particular relevo duas coisas. Uma, destacadíssima, é a bola. E, nesta, o Sporting, tudo com o infinito cortejo de "protagonistas" e de comentadores dos "protagonistas". Aliás, a RTP1 alargou o espectro. Uma vez terminado o Mundial, apareceram o hóquei em patins, em horário nobre, e as "voltas" de bicicleta. A outra via é a dos festivais - de música, gastronómicos e "medievais"- que surpreendem o espectador às horas mais absurdas e em plenos programas ditos de informação para, literalmente, encher chouriços. Quem não estiver por dentro, não percebe a que calçadão pertencem os festivais musicais que, invariavelmente, começam ou acabam na "alegre casinha" da Milú, agora adoptada pelo regime do Estado a que isto chegou, um Estado que não se respeita nem se sabe dar ao respeito. Por outro lado, aquilo que devia ser levado a sério não pode, porque arranjaram esta maneira de misturar tudo, uma velha habilidade destinada a fingir que vivemos num paraíso benevolente. No Verão de 1855, já D. Pedro V não se enganava ao escrever ao tio Alberto, Príncipe consorte de Inglaterra, que o carteio deles era a sua "única saída do círculo miserável de imbecis que nos rodeia". A mulher do primeiro-ministro até foi chamada, pela Armada portuguesa, a lançar uma garrafa de champanhe contra uma canhoeira ataviada nos estaleiros de Viana do Castelo, tão execrados pelo marido e pelos seus aliados há curtos anos, mesmo sem os indispensáveis canhões. À pastora Catarina, do Bloco, não lhe cai a cara de vergonha quando comenta o SNS, ao qual tem servido de muito dispor de mais dinheiro cativado. O PC avisa que "não se deixa comer" quando, desde os finais de 2015, mal se pode sentar com tantas blandícias proporcionadas ao Governo e ao PS. Rio, evidentemente, não existe a não ser para avisar que vai "reformar" isto em consensos fofos. Trump, a Europa ou o Mundo, de uma forma geral, não cabem na nossa alegre casinha. Não por acaso, e precisamente por confiarem mais nas festanças que no Estado, alguns automobilistas fizeram inversão de marcha na A12, no sábado, quando lhes cheirou a fumo, fogo e desleixo. Lembraram-se de Pedrógão, vá lá. Marcelo bem pode arrastar o corpo diplomático para concertos e croquetes no interior. Dificilmente arrastará mais alguma coisa ou alguém.

JURISTA

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