Opinião

Rui Rio, o purificador

Rui Rio, o purificador

À beira de uma estrada secundária, pelo menos foi o que se viu nas televisões, o dr. Rio juntou umas dezenas de amigos para aproveitar o regresso de férias e falar. Seria em Loulé mas, um dia antes, o "líder" já tinha descido ao Algarve para visitar os destroços de Monchique. Lá, aproveitou para exibir as suas qualidades de chefe da oposição, afirmando precisamente o contrário: ele está aí para ajudar (presumivelmente o dr. Costa) e não para fazer oposição (ao referido Costa, seu amigo). No sábado, no final de uma peleja de futebol intrapartidário em que a equipa dele ficou em último lugar, precisou o seu elaborado raciocínio. Ainda falta um ano para eleições, logo o PSD não vai andar um ano a fazer campanha eleitoral que, na cabeça matematicamente formatada de Rio, equivale a essa actividade inquinada que é fazer oposição. Aliás, nenhum partido, desde o do Governo (e o próprio Governo) até ao CDS, a coisa vista assim da Esquerda para Direita, ninguém anda positivamente em campanha. Rio, pelo menos, não anda e reserva o exercício a outros e às "revistas sociais". Mas regressemos à beira da estrada secundária em Loulé. Rio esteve trinta e três minutos e alguns segundos a perorar. O grosso da discursata destinou-se a intendência partidária, ou seja, a reafirmar o "programa" dele. Não gastar dinheiro. Não ligar ao que outros companheiros dizem a não ser para, a seu tempo, os correr das listas porque, com ele, não há cá "lugarzinhos". E, por detrás dos óculos escuros, brilharam logo os olhinhos da dr.a Marlene Fraga. Não quer nem sequer ouvi-los comentar a vida do partido, uma coisa que ele nunca fez até lhe ter passado pela tola ser candidato frustrado a Belém. Não quer o radicalismo aliado a Costa, quer ir ele para o lugar do radicalismo. Em suma, e salvo uma levíssima acrimónia por causa de Monchique, Rio podia ter assegurado, como nos festivais de música pop, a primeira parte do comício do PS em Caminha. Ele, na verdade, é o purificador da vida política do PSD que, para o efeito, tem ali para mil anos de beatério interno (e externo, se o deixarem) e zero de compromissos com a nação. O país ignora-o, como ele, muito religiosamente, ignora o país. É capaz de estar bem para feitor ou mestre quarteleiro, acolitado por aquelas improváveis figuras da "mesa de honra" de Loulé. Fique, pois, até ao último minuto do seu mandato, entretido nas operações de limpeza e de manutenção do telhado. O amigo Costa agradece.

O autor escreve sob a antiga ortografia

*Jurista

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