Portugal em transe

O melhor de cada um

O crescimento da pandemia de Covid-19 tem sido acompanhado do crescimento de "teorias conspirativas" por detrás dela.

Há para todos os gostos e feitios, mas não julgo que seja esse o interesse primordial dos leitores: saber em que estado fica a geopolítica depois disto passar. São escritos diariamente mais artigos e "posts" sobre isto do que é atempadamente disponibilizado material para combater a pandemia, aí onde ela parece imparável.

Realisticamente, pouca gente está na posse de qualquer verdade definitiva sobre a matéria. Ninguém, em parte nenhuma do Mundo, estava preparado para isto. Ou melhor, em algumas partes do Mundo alguns estariam menos mal preparados. O que se traduz em resultados mais animadores em países mais ou menos democráticos do que na Europa. Ou nos Estados Unidos, que vai a caminho de ser o novo epicentro pandémico depois da Europa e da China por esta ordem. Portugal exibe fundamentalmente na orla litoral, a de maior concentração demográfica de norte a sul, o maior número dos seus infectados, analisados e mortos. O primeiro período do estado de emergência termina esta semana e é praticamente impossível que não seja decretado um segundo com novas medidas. A prioridade deve continuar a ser salvar vidas, com o chamado "distanciamento social" mais eficaz e menos deletério ou facultativo. Os benefícios da imposição de um "distanciamento social" mais agressivo excedem largamente os custos do seu não cumprimento egoísta. Quem salva uma vida em casa ou num hospital, salva a Humanidade inteira como sabemos. Decisões e escolhas públicas não podem colocar num prato da balança uma só vida humana que seja e, no outro, um saco de moedas. Nunca a premissa jurídico-política e cultural da superioridade do poder político democrático sobre complexos económicos e políticas financeiras fez tanto sentido como neste instante. Sei que não é muito "liberal" escrever isto. Porém, sendo os nossos "liberais" e as nossas "confederações" os primeiros a defender que o Estado se chegue à frente para preservar a iniciativa privada aos seus mais diversificados níveis, estou bem acompanhado. O mesmo se deve aplicar aos empórios do PSI 20 e ao sistema financeiro nacional. Susan Sontag em "A doença como metáfora", que recomendo, nota que "como em qualquer outra situação extrema, uma doença temida traz ao de cima o melhor e o pior de cada um". Não nos vamos livrar desta pandemia arbitrária tão cedo, salvo se trouxermos ao de cima somente o melhor de cada um.

o autor escreve segundo a antiga ortografia

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