Opinião

Os amigos de Alex Costa

Os amigos de Alex Costa

O país político terá de esperar pelo Tribunal Constitucional até a nova poeira parlamentar poder assentar praça e o novo Governo poder tomar posse.

Chamar, todavia, novo Governo às peças que António Costa arregimentou à sua volta é um exercício benevolente. Sim, saíram duas ou três pessoas - Ana Paula Vitorino, que não tinha feito mau lugar, ou Capoulas Santos, que se pusera ao lado dos agricultores e das vacas contra a deriva "ambientalista", por exemplo -, mas ficou-se bem longe de governos, apesar de tudo com outra dimensão política e intelectual, formados por Guterres e José Sócrates. Costa foi buscar o PS dele para o Executivo da República, com uns "refrescos" inexplicáveis e umas continuações inadmissíveis como na Saúde. Vi afirmado por alguns que se trata de um "Governo de combate". Contra quem? A nova desordem geopolítica e económica mundial? Os tickets comerciais em jogo entre os EUA, a China e a Europa? Os caprichos expansionistas do sr. Erdogan? O improvável PSD? Também li que foi reforçado o "núcleo político" por causa do referido "combate". Se alguém caiu logo "em combate" foi o dr. Centeno que baixou na hierarquia política de terceiro para quinto. À frente dele estão, logo a seguir a Costa e seu substituto legal, o dr. Siza Vieira, o mais recente amigo do patronato (o eng.º Saraiva, da CIP, até vai fazer mais um mandato em homenagem a este egrégio advogado de negócios), o picaresco Santos Silva e a benjamim Vieira da Silva, uma aposta do "premier" para aborrecer o grupo de jovens turcos encimados por Pedro Nuno Santos. Este é porventura o sinal político mais interessante do novo Governo: a retirada de peso político ao presidente do Eurogrupo que andava demasiadas vezes em bicos dos pés para o gosto de Costa. Outro sinal é a Cultura, em décimo lugar em 19, com o ainda presidente do São Carlos a circular de lá (entrou em Julho) para uma Secretaria de Estado tipicamente partidária. Finalmente, o lugar às novas. As promoções da antiga autarca de Abrantes à Agricultura e da ex-candidata do PSD em Mêda ("Mais Mêda, Mais futuro") à Coesão do Território - depois da presidência imperfeita da CCDR do Centro que superintendeu nas consequências por acabar dos incêndios de 2017 - terão de merecer alguma explicação. Ou talvez não. Até mais ver, anestesia geral em vigor com certeza encarará este grupinho de amigos de Costa com indiferença. Marcelo igualmente, pelo menos até à recandidatura. É o que vai havendo.

*JURISTA

O autor escreve segundo a antiga ortografia