Opinião

Sinais de fogo

Os sinais começaram mal o Governo tomou posse. O mais desastroso é o da ministra da Saúde. Toda ela era sorrisos antes dos votos. Toda ela e, ocasionalmente, o chefe dela eram desvelos, descerrar de bandeirinhas e de pás para obras nas televisões.

E eis que o SNS, do qual o PS se reclama permanentemente pai incestuoso, falha em médicos, materiais, medicamentos, intervenções atempadas, etc. Temido remedeia, e da conversa dela transparece a sua incompetência redonda e, pior do que isso, a sua impotência política.

Centeno, despromovido na hierarquia, continua no entanto a ser quem puxa dos cordões à bolsa que aperta cada vez mais. Vai daí, e com a habitual complacência dos hipócritas, PC e Bloco pedem mais investimento público e a proletarização do SNS no Orçamento de Estado, já agora com a desestruturação da ADSE. Estarão ironicamente as esquerdas ao serviço dos grupos privados de saúde? Se não estão, parece.

Outro sinal de demagogia preocupante veio da Justiça. A ministra, que se adaptou rapidamente ao "politiquês" e à língua de pau de Costa, fez de conta que não leu a decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre um pedido de "habeas corpus" interposto pela cidadã cabo-verdiana que deitou o filho recém-nascido no lixo. Foi almoçar a Tires e saiu de lá muito satisfeita por a pequena estar a receber apoio psicológico, o que quer dizer que o sistema funciona maravilhosamente. Tão maravilhosamente, que a futura colenda do STJ nem se deu ao trabalho de fazer a visita de maneira discreta depois de serem conhecidos os pressupostos da decisão judicial que manteve a prisão preventiva. O "coitadismo" ainda não é função de soberania do Estado.

Finalmente, um secretário de Estado ia a Boticas por causa da ressuscitação das minas de lítio e nem saiu do carro, com medo da população que só queria falar com ele. Exibiu-se a GNR, não fosse o diabo tecê-las. O homem viveu sempre numa redoma de vidro, sem mundo, e puseram-no naquilo como o podiam ter posto num aquário onde não falasse. Não se envia tipos destes ao mundo real.

A estes sinais da galáxia socialista no Governo, acrescento a cobardia política dos deputados do PS. No Parlamento Europeu, votaram a equiparação do comunismo ao nazismo enquanto regimes de destruição humana maciça. Aqui, titubearam por causa do PC e do Bloco, e recusaram resolução idêntica. Nas palavras de Goethe, "as ideias gerais e a presunção enfatuada precedem sempre terríveis infelicidades". Estes sinais de fogo fazem parte delas.

*Jurista

o autor escreve segundo a antiga ortografia