Opinião

Um adeus português

A gloriosa presidência portuguesa da União Europeia está a terminar. Trata-se de abébias rotativas que a UE disponibiliza aos estados-membros, espaçadas no tempo.

A primeira ocorreu no consulado de Cavaco, em 1992, ainda a "Europa" era viva. Na seguinte, com Guterres, em 2000, começou a saga das "agendas" proclamatórias. Sete anos decorridos sobre a "agenda de Lisboa", Sócrates acolheu a terceira presidência. Engalanaram-se os Jerónimos em "modo guerra das estrelas" para a assinatura do infeliz "Tratado de Lisboa" cujas regras principais a natureza, na circunstância, uma pandemia, encarregou-se famosamente de enfiar no bolso. Chegámos assim à quarta, a do presente semestre, por conta do magnífico dr. Costa, dos seus improváveis ministros e dos seus desastrosos delfins. É uma presidência politicamente sem história. Mal começou a presidência, a inconsciência geral do regime obrigou a um novo confinamento de praticamente três meses. Pelos critérios gerais de avaliação da coisa, éramos os piores no controlo e na evolução da pandemia. Com o desconfinamento mal avaliado, entregue ao absurdo administrativo salvo na logística da vacinação nacional, a presidência portuguesa vai terminar passando pela vergonha de outros estados-membros a impor restrições aos indígenas. E aos respectivos nacionais que queiram cá vir, por causa dos índices oficiais das infecções da covid-19. Com Costa apenas preocupado em "ir ao banco" para levantar os milhões do "plano" europeu aprovado na sequência da pandemia, Portugal deposita uma "marca" lamentável nestes seis meses. Desde o caso do "procurador europeu", gerido com os pés pela ministra da Justiça, até ao caso em curso com epicentro na Câmara de Lisboa e, mais propriamente, em Fernando Medina, relativo à divulgação inopinada de dados pessoais a governos estrangeiros, o país não deixa uma boa memória aos nossos parceiros europeus em matérias tão sérias como as liberdades públicas ou os direitos humanos. As presidências europeias costumam ser um excelente pretexto para gastar uns milhões em brigadas da "mão fria" e em brindes patéticos. Se não for pelos croquetes, pelos lencinhos e pelas gravatas, desta vez pouco mais fica de lembrança. E o que fica é muito mau. A imagem de um país curvado sobre a sua impotência, de mão estendida, prontinho a desbaratar milhões no futuro próximo e que sabe dar uns bons chutos na bola. Salvo o devido respeito, que é nenhum, é curto.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

Jurista

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