Opinião

Escola pública. Fábrica de medíocres

Escola pública. Fábrica de medíocres

Há uma coisa que não se percebe no sistema de ensino público em Portugal. Porque é que os piores professores dão as piores notas e os piores alunos têm relativamente as melhores? Até que descobri que o burro sou eu. A resposta é muito simples: a melhor maneira de disfarçar a incompetência é a sobranceria.

Não gosto de falar na primeira pessoa, mas as dores que não se veem, o coração não as sente. Este ano um dos meus filhos cumpriu o serviço escolar obrigatório numa escola pública - não digo qual é porque não interessa, mas até tem fama de ser uma das melhores do país - e o resultado foi ao mesmo tempo desastroso e esclarecedor.

O nível do serviço que o Estado prestou ao meu filho e aos seus colegas foi abaixo de mau. Greves umas atrás das outras, faltas sucessivas dos professores, turmas gigantescas e, o mais grave de tudo, incompreensível inconsistência pedagógica, humana e relacional. Uma depressão contagiosa e coletiva que contamina tudo à sua volta.

Bem sei que os professores acham que a sociedade os tratou mal e já não lhes reconhece o prestígio de antigamente, mas eles fizeram tudo por isso. Andaram em más companhias, recusaram ser avaliados, jogaram guerras de poder e usaram o futuro das crianças como arma de arremesso. Quem assim faz arrisca-se a ficar no lado errado da história.

A escola pública é um pesadelo. Um sistema triste e decadente onde o medo e a incompetência crescem mais depressa que cogumelos.

Quando o essencial no sistema de ensino não é a qualidade dos alunos, mas o bem-estar dos professores, está tudo dito. Venha o Nogueira e escolha. Eu, porque posso, ponho-me a milhas, mas assim este país não vai a lado nenhum.

*Especialista em Media Intelligence