Opinião

O ano das mulheres

Estar em igualdade quer dizer ter as mesmas hipóteses de liderar. Este ano, pela primeira vez na história, uma mulher pode vir a ser a pessoa mais poderosa do planeta.

"As mulheres". Foi assim que Ove Thorsheim (http://bit.ly/1OAocyF), embaixador da Noruega em Portugal, respondeu quando falávamos sobre qual era o fator que mais contribuía para a riqueza e o sucesso do seu país. "Foi a completa integração das mulheres na sociedade. Na igualdade do género é que está o segredo".

"Nem o petróleo, nem a centralidade, nem o salmão, nem o bacalhau", continuava o embaixador Thorsheim com um sorriso largo e uma desconcertante simplicidade matemática, "uma sociedade em que tod@s participam tem pelo menos o dobro das hipóteses de ser mais bem-sucedida, mais rica e mais competitiva que outra qualquer, onde só metade das pessoas entre". A matemática é provavelmente a única ciência onde os dogmas se podem aplicar sem estorvo e onde as contas são sempre fáceis de fazer.

A Noruega está no top dos países do Mundo - em primeiro lugar segundo uns estudos, em segundo (por troca com a Islândia ou a Dinamarca) segundo outros - onde as mulheres se destacam na liderança. Nestes países o acesso e as decisões na educação, na saúde, na economia e na política são partilhadas entre homens e mulheres.

Mas não é só nos países nórdicos que isto acontece. O relatório de 2015 (http://bit.ly/1NEU4SP) do Fórum Económico Mundial sobre a diferença de género, confirma que os índices que medem a igualdade entre homens e mulheres são cada vez melhores. Globalmente, as mulheres já têm uma participação quase idêntica à dos homens. Na saúde e na educação pode falar-se quase de paridade. Na participação na economia e na política, as mulheres ainda ficam atrás. Mas cada vez menos. E os exemplos estão aí.

A revista "Time" elegeu a chanceler Merkl (http://bit.ly/1OrgJqd) como pessoa do ano que agora termina e a cantora Adele (http://bit.ly/1RWUZoy) para representar o ano que começa. E é em 2016 que uma mulher, Hillary Clinton, pode, pela primeira vez na história, chegar a ser a pessoa mais poderosa do planeta.

Em Portugal a tendência é semelhante. Há 76 deputadas, ou seja, 33,6% dos lugares no Parlamento, e no Governo há 4 ministras e 16 secretárias de Estado. No nosso país as mulheres já lideram na educação, na esperança de vida e na qualidade da mão de obra. Falta agora que ganhem mais dinheiro e tenham (ainda) mais participação política.

É nesse caminho que temos de ir.

*Especialista em Media Intelligence

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