Opinião

Obviamente feminista

O segredo do sucesso está nas mulheres. O problema é que poucos homens sabem. As mulheres são um capital tão grande que, num abrir e fechar de olhos podiam transformar a sociedade, duplicar a inovação, aumentar o desempenho e fazer disparar a produtividade e o lucro.

Em todo o mundo, as organizações com mais mulheres na liderança, são as que mais inovam e atingem melhor desempenho financeiro. As comunidades, empresas e países mais inclusivos são os que se saem melhor na competitividade global.

É isto que prova um estudo do Credit Suisse Researh Institute feito em mais 3000 empresas de 40 países, durante 9 anos. Aquelas empresas que tem mais mulheres em cargos de alta direção, são as que mais valorizam e mais riqueza geram para os seus acionistas. A explicação é biológica e a riqueza gera-se conjuntamente: pela complementaridade e diversidade.

Por isto a discussão do papel das mulheres na sociedade à volta de argumentos como quotas e paridade não é só uma coisa sem sentido: é uma coisa estúpida. Porque constrange as mulheres, enfraquece os homens e custa dinheiro a toda a sociedade.

À vista da evidência não se compreende pois que a luta pela inclusão das mulheres seja travada sobretudo por elas. Como se a inclusão fosse apenas boa para elas. Meus senhores, a luta por elas é nossa.

É isso que já fazem organizações como os Male Feminists e os Male Champions. Grupos de homens que perceberam que lutar pelos direitos das mulheres é lutar pelos seus próprios interesses. Pelos interesses de todos.

Mas para que os CEOs que vivem fechados em gaiolas de vidro corporativas pudessem compreender isso, teriam de discutir pagamentos online com a Maria Luísa Aldim, a inovação aberta com a Andreia Madeira e o empreendedorismo com a Romana Ibrahim.

Quando o problema da inclusão se quer resolver com uma regra estatística - um em cada três tem de ser mulher - não vai funcionar. Até porque estamos também a dizer que dois vão ser homens.

Mas a estatística nunca foi uma ciência exata e cada mulher que, com mérito, sensibilidade e bom senso, fizer de cada ideia, projeto, empresa, partido, organização e família um mundo melhor, tem de ter sempre lugar.

Especialista em Media Intelligence