Antigamente, os filhos aprendiam com os pais porque tinham menor acesso à informação. Hoje não é assim. Os filhos, porque são mais novos, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação do que os seus pais. O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, hoje é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste "jogo" os mais novos levam grande vantagem.
As redes sociais são o território desta batalha. Porque são imediatas, rápidas e expõem os mais jovens a um mundo que muitas vezes é desconhecido dos adultos; mas também porque, paradoxalmente, são o local onde nos encontramos com eles na Internet.
Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das redes sociais, como se "mantêm vivas", e qual a recompensa que existe em cada uma. Os adultos não.
A Kika, de 14 anos, sabe que o que mantém vivo o Snapchat (a rede mais utilizada pelos adolescentes nos EUA) é a regularidade com que contacta cada pessoa - é a rede da Amizade. Que no Instagram o objetivo são os gostos em cada fotografia - é a rede da Vaidade.
Já o Twitter é diferente, diz ela, "serve para encontrar coisas interessantes" - é a rede da Informação. Os adolescentes estão a abandonar o Facebook. Têm-se transferido para o Snapchat e para o Instagram, deixando a rede criada por Mark Zuckerberg para a mais tradicional forma de comunicação: as mensagens de texto.
O nosso maior medo - como educadores - de que os nossos filhos possam estar a falar com um pedófilo, em vez do aparente amigo ou amiga digitais, não faz sentido nenhum. Eles sabem mais sobre o assunto do que nós; e as próprias redes sociais onde agora as pessoas verdadeiramente se conhecem, são elas próprias uma cadeia de segurança. É certo que as redes sociais são um assunto difícil de compreender, sobretudo pelos adultos, que gostam das coisas organizadas e hierarquizadas. Porque nelas tudo está em mudança constante.
Mas na verdade, não há nada de novo, apenas um problema geracional. Os adultos usam as redes sociais, mas não as compreendem; os mais jovens não as usam, eles são a rede. É isto que, para os adultos, é difícil de compreender.
ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE
