Opinião

O modelo de Singapura

À medida que muitos países adotam - outra vez - medidas rigorosas de emergência para parar a covid (agora por causa da variante Delta), uma nova visão do combate à pandemia chega de Singapura. E, inevitavelmente, todos acabaremos por segui-la.

Para os responsáveis deste país, considerado um modelo na gestão da pandemia, a solução é simples: parar de contar os casos e apostar na responsabilidade das pessoas, porque, afinal, a covid é como uma gripe e nunca mais se irá embora.

A proposta da cidade-Estado de 5,7 milhões de habitantes afasta-se assim, e de forma radical, do modelo de "transmissão zero" que é seguido e adotado em muitos países e territórios, incluindo Portugal.

A nova estratégia do país asiático, proposta por três ministros da task force covid-19, quer acabar com novos confinamentos, rastreios em massa e permitir o regresso de viagens sem quarentena, bem como o recomeço de eventos e espetáculos.

Mas será isto uma irresponsabilidade? Os políticos de Singapura sabem que a "transmissão zero" - que exige sempre medidas de quarentena rigorosas e muitas vezes punitivas - está condenada, porque, a prazo, e à medida que as novas variantes se propagarem, será incomportável.

Vai depender de todos nós, do nosso cuidado pessoal e da nossa responsabilidade coletiva, a vida no futuro próximo. Mas é urgente transformar a pandemia em algo menos ameaçador, e tratá-la como, por exemplo, tratamos a gripe, a varicela, a tuberculose e outras doenças com que convivemos há décadas e sem histerias.

O plano é ousado, pode até custar vidas, mas é realista. O que não é realista é continuar a bloquear a sociedade, ficando confinado, mesmo depois de tomar a vacinas e testar negativo, como aconteceu esta semana com o nosso primeiro-ministro.

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Especialista em Media Intelligence

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