Opinião

Infraestruturar Portugal Digital (I)

Infraestruturar Portugal Digital (I)

A moda hoje em dia é sermos todos fluentes em "digitalês". Mas será que vamos saber agarrar o futuro?

Não há português que se considere ser ou pretenda vir a ser alguém na sociedade que não perore fluentemente sobre os milagres que a tecnologia digital nos vai trazer, com a Inteligência Artificial, o Machine Learning, o Big Data, a Data Science, a Cloud, o 5G, a Internet das Coisas, o Blockchain, etc.

Esta conversão em massa aos benefícios da tecnologia não deixa de aquecer o coração a um professor de Engenharia Informática como eu. É comovente constatar a onda de empatia que envolve os nossos "queridos líderes" criando a expectativa de que iremos explorar positiva e racionalmente todas estas potencialidades, criando um Portugal melhor no médio prazo.

Só que a realidade se impõe aos bonitos sonhos que alimentam estes discursos e dão corpo às notícias com que nos embalam. A verdade é que, mais uma vez na história, não estamos a proceder com as metodologias adequadas e com sólidas bases científicas para construirmos um futuro melhor.

Em particular, não estamos a endereçar de forma clara, objetiva e frontal como é que nos propomos infraestruturar Portugal para o "Digital".

Uma coisa é certa: o simples somatório de iniciativas parcelares e setoriais, por muito meritórias que sejam, não conduz necessariamente, só porque sim, a resultados sistémicos que sejam mais e não menos que a soma das partes.

A obtenção de sinergias positivas globais decorrentes da interação virtuosa entre iniciativas parciais só se consegue "by design", baseado em princípios de racionalidade e usando metodologias científicas comprovadas.

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Iremos ao longo dos próximos meses abordar este tema, em contextos concretos, versando situações com relevância e significado para todos os portugueses. Em linguagem simples, que todos compreenderão.

Até lá, recomendo olharmos para a obra do engenheiro Duarte Pacheco, como ministro das Obras Públicas e Comunicações, na década de 1930. Um exemplo de excelência na forma de pensar e de agir para construir o futuro em Portugal.

Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC

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