Este ano a silly season fica também marcada pela entrevista de verão do primeiro-ministro António Costa e depois pelo Congresso do Partido Socialista.
Estes dois momentos esclareceram, tanto pela forma como pelo conteúdo, a visão que o Partido Socialista preconiza para o país. Como bem sabemos, por conveniência, desde 2015 que o Governo socialista vive acantonado à extrema-esquerda, com o apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, e mesmo com a janela de oportunidade que a recuperação económica traz por via dos fundos europeus, o Congresso do PS, de laivos ao estilo norte-coreano, indicou a direção: tudo à esquerda. Mas o que é que significa ter um Governo imobilista à esquerda? Apenas e só a ausência de qualquer reforma, e nenhum pensamento de futuro.
Nestes seis anos de governação socialista, os números do investimento público continuam em áreas críticas substancialmente abaixo dos verificados no tempo do Governo PSD/CDS, o salário médio nacional não sobe, o crescimento económico mantém-se anémico, o SNS subfinanciado, e a classe média queda-se espartilhada por impostos. Em entrevista ao "Expresso", António Costa sinalizou a sua preocupação com o combate à pobreza infantil. Um quinto da população portuguesa vive em situação de pobreza. Estaremos, por isso, de acordo que o combate à pobreza tem de ser uma prioridade política transversal a todos os partidos políticos. A pergunta que se coloca é como fazer, e neste ponto estamos certamente em desacordo. As medidas anunciadas passam, por exemplo, pelo aumento dos apoios sociais para todas as famílias, independentemente do seu rendimento. A alternativa seria por via do IRS através do quociente familiar, progressivo, tal como fora introduzido pelo Governo PSD/CDS e liminarmente rejeitado pelo atual Governo. Questionável justiça social tratar de forma igual o que é manifestamente diferente. Uma sociedade igualitarista não é uma sociedade justa, mas parece ser este o desígnio de um PS dependente da extrema-esquerda.
A crítica ao anúncio de António Costa é, pois, uma questão de fundo porque a excessiva dependência das famílias do Estado coarta a sua liberdade, as suas aspirações, com consequências na mobilidade social. Mas a agenda política da esquerda privilegia a dependência letárgica da máquina do Estado. Assim, o exercício do poder para o PS é como uma droga, e sem ela a sobrevivência estará em risco.
Ainda a braços com a pandemia, o desejo de António Costa é a rápida "libertação" do país. Não deixa de ser curioso que a libertação que o primeiro-ministro tanto anseia não se materialize na economia, nos impostos. A verdade é que para se manter no poder o PS precisa do país ligado às máquinas.
*Eurodeputada do PSD
