Planear consiste em recolher informações com o objetivo de prever, com a maior margem de certeza possível, os acontecimentos futuros e com base na informação recolhida, determinar as ações que deverão ser desencadeadas para atingir os objetivos a que nos propomos.
O planeamento precisa, assim, de uma base sólida de informação, e quando a gestão de riscos se apresenta como irritantemente otimista, estão lançadas bases sólidas para o falhanço.
Um ano volvido desde o início da pandemia e parece que entre os cenários traçados e a realidade há sempre uma discrepância profunda. Se numa primeira fase a gestão errática da crise sanitária podia ser desculpada (a informação disponível à época é diferente da que dispomos hoje), doze meses depois é inaceitável. Nas várias áreas, como saúde, educação e economia, o Governo revela uma repetida incompetência e é meramente reativo.
Hoje, a pandemia em Portugal apresenta os piores números do Mundo. Isto, apesar de termos um SNS com profissionais qualificados e dedicados. Então, o que tem falhado?
Vamos a exemplos concretos.
Na saúde, em fevereiro de 2020 a OMS alertou consecutivamente os estados para a escassez de equipamento de proteção individual (máscaras, luvas e óculos). Portugal demorou mais de um mês a fazer a primeira grande encomenda deste equipamento, de acordo com o portal Base, foi a 18 de março.
Na Alemanha, o plano de vacinação começou a ser preparado em abril e foi apresentado no início de novembro. No Reino Unido, o plano foi tornado público a 25 de setembro. Em Portugal, foi apresentado a 3 de dezembro, tendo sido já alterado por diversas vezes, o que reflete falta de capacidade de planeamento.
E a educação tem sido reveladora do estado em que se encontra o país. Após em março (2020) termos entrado em estado de emergência, e em abril o anúncio de computadores e Internet para todos os alunos no início do ano letivo, em 2021 estamos com os alunos em casa e sem aulas à distância.
Por fim, na resposta económica, somos o terceiro país da UE que menos investe nas famílias e nas empresas. O Governo deixou restaurantes, trabalhadores independentes, sócios-gerentes e setor da cultura na miséria ou à espera de "drinks".
"Não planeámos? Planeámos! Só que planeámos para um limite que não era este", afirmou Marta Temido esta semana. Sobre planeamento, estamos conversados. E isto tudo, com um Governo que considera que quem o critica é desleal e está "ao serviço de campanhas internacionais contra Portugal". Quanto a mim, acredito que ficarmos calados enquanto os portugueses sofrem é que é prestar um mau serviço a Portugal.
*Eurodeputada do PSD
