Opinião

O seu salário e a sua liberdade

O seu salário e a sua liberdade

Todos sabemos que os portugueses têm vindo a ser sujeitos a impostos, taxas, contribuições e outros quejandos de forma crescente. Sejam os cidadãos ou as empresas, o voraz apetite de quem nos governa sobre o resultado do trabalho de cada português parece não ter fim.

Bem sei que muitos não gostam de ver a narrativa socialista confrontada com factos e com a verdade, mas, também por isso, nunca como hoje os factos foram importantes em política, enredados que vivemos em meias verdades e silêncios cúmplices.

Como soubemos recentemente por um estudo da OCDE, a carga fiscal sobre o trabalho, repito, sobre o trabalho é hoje, com o Governo socialista, a maior de sempre, com 41,3%, contra uma média da OCDE de 34,6%. Vivemos e trabalhamos para entregar uma parte cada vez maior do que produzimos ao Estado apenas para que quem nos governa a distribua mal, de forma centralista e mais em função da capacidade reivindicativa de algumas clientelas eleitorais do que em função do que é justo e correto fazer.

Vivemos praticamente vinte anos governados por uma Esquerda que diz privilegiar os rendimentos do trabalho sobre os rendimentos de capital, mas que na hora da verdade decide deixar aos trabalhadores cada vez menos do seu rendimento, já de si muito pequeno. Recordo que 60% dos portugueses ganham abaixo dos 800€.

Na verdade, este esbulho fiscal aos portugueses vem na senda de outras decisões que demonstram pouco respeito pela propriedade privada, como a alteração legislativa para facilitar a expropriação (ou espoliação) da propriedade privada, ou o mais recente caso de Odemira, onde ninguém fica bem numa fotografia da qual o surreal ainda-ministro Cabrita é personagem principal.

A propriedade privada é um direito consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem (art.o 17.o) porque dela depende também a liberdade dos cidadãos. Quem nada tem de seu está mais dependente de terceiros e as dependências são, por definição, opostas a uma liberdade plena. As violações ao direito de propriedade devem ser encaradas com preocupação e só permitidas em casos absolutamente excecionais.

Um modelo económico que cria dependência do Estado a empresas e cidadãos reduz a liberdade porque nos torna dependentes de vontades ou benesses de políticos. Precisamos que uma fatia maior do trabalho dos portugueses fique nos seus bolsos, para que possam ter uma vida melhor, com mais poder de decisão sobre a sua vida, e assim, mais liberdade. Em Portugal, como em Espanha, socialismo ou liberdade.

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Eurodeputada do PSD

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