Opinião

As creches não são depósitos de crianças

As creches não são depósitos de crianças

As famílias que coloquem as crianças nas creches vão continuar a beneficiar do apoio do Estado até ao final de maio.

Esta foi a garantia dada ontem pelo primeiro-ministro na véspera da reabertura e faz parte da estratégia do Governo e das autoridades de saúde para o estabelecimento da confiança naquelas instituições. Tal como António Costa explicou, permitirá aos pais tempo de adaptação. Podem escolher se põem os filhos já na creche, a tempo inteiro ou parcial, ou se os mantêm em casa, continuando a receber a ajuda financeira do Estado. Nesta fase do levantamento gradual das medidas de confinamento, a ideia é boa desde que haja a efetiva colaboração dos pais. É que enquanto haverá progenitores que não se imaginam a deixar um filho na creche desde que tenham outra alternativa, outros não hesitarão em aproveitar a oportunidade para passar umas horas sem os mais pequenos. Convém que não nos iludamos. É bom recordar que há crianças que passam oito, nove, dez horas numa creche. Muitas veem os pais ao pequeno-almoço e chegam a casa a dormir. E não foi por acaso que uma grande parte dos jardins de infância determinou 22 dias de férias obrigatórias para as crianças e multas aos pais que as vão buscar após a hora de fecho determinada pela instituição. Não existe risco zero, nem nas creches nem em lado nenhum. A óbvia necessidade de um regresso a uma vida normal implica a reabertura destes espaços, com mais ou menos consenso. Nos últimos dias, o Governo e as autoridades de saúde responderam a algumas preocupações, legítimas, dos profissionais deste setor. Temo que se tenham esquecido que ainda há quem encare as creches e infantários como depósitos de crianças. E não teria sido pior garantir que, pelo menos até 1 de junho, a reabertura fosse condicionada a quem efetivamente precisa.

* Diretor-adjunto

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