Opinião

As regras secretas do Avante

As regras secretas do Avante

O presidente da República levantou ontem uma questão que a maioria dos portugueses também gostava de ver respondida. Quais são afinal as regras sanitárias definidas pela Direção-Geral da Saúde para festa do Avante? A pergunta não pode ser vista como uma afronta ao Governo de António Costa. É legítima, é transversal a todo o país e, ao ser respondida, podia minimizar a polémica instalada.

Como afirma Marcelo Rebelo de Sousa, não é bom para ninguém. A cinco dias da festa na quinta da Atalaia, as normas a aplicar não são conhecidas. Ninguém duvida da capacidade do partido de Jerónimo de Sousa em levar a cabo esta celebração. O próprio garantiu, no dia 15, em Faro, que o PCP "saberá preparar a festa com as medidas de proteção necessárias. Com mais medidas de proteção e medidas suplementares de higiene e limpeza". Mas a questão é precisamente esta: que medidas exatamente? Recorde-se, por exemplo, que uma estação de televisão chegou a noticiar, citando fonte da DGS, que o PCP estaria a colocar entraves a que a plateia dos concertos tivesse apenas lugares sentados. O partido não confirmou. Mas a pergunta impõe-se: a DGS garantiu que os concertos não vão ter espectadores de pé?

Ora, depois das declarações do presidente, a DGS informou que o parecer técnico foi ontem entregue à organização e que não o divulga! Cabe à entidade organizadora fazê-lo, diz. Portanto, conclui-se que só o PCP pode responder às perguntas do presidente e às dos portugueses.

As negociações para a realização daquele evento duraram bastante tempo. Tempo de mais para as conclusões não serem divulgadas publicamente, face, de resto, à dimensão política que o caso alcançou. Até porque, se os festivais de verão não se realizaram devido às normas sanitárias que inviabilizariam qualquer receita financeira, a generalidade dos portugueses continua a não entender a diferença entre ir à Festa do Avante ou assistir a um jogo de futebol.

Marcelo Rebelo de Sousa aguardará as respostas. Pelos vistos do PCP. Os portugueses também. Mas que pressiona Graça Freitas e o Governo a esclarecer hoje as regras do jogo, durante a conferência de Imprensa da DGS, pressiona. E bem.

*Diretor-adjunto

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