Opinião

Falta de professores: inércia e cismas

Falta de professores: inércia e cismas

O nosso país desperdiçou professores ao longo das últimas décadas. Dispensou-os formal e também informalmente. A colocação de um profissional mal remunerado a largos quilómetros do seu local de residência e o desprestígio social a que a profissão foi sujeita estão entre as razões que explicam a carência de docentes do ensino obrigatório.

Os números são agora muito preocupantes. As estatísticas oficiais revelam que o número de novos professores saídos das universidades tem vindo a cair a pique desde 2009 e que os estudantes que vão concluir os mestrados para dar aulas nos próximos anos poderão não ser suficientes para suprir as necessidades das escolas. Acresce que, até 2030, metade dos docentes poderá reformar-se.

Eis que, pela primeira vez em tantos anos de má gestão de recursos humanos de diversos governos e governantes, são colocadas em prática uma série de alterações para, pelo menos, minimizar um eterno problema.

PUB

Entre as 11 medidas para travar a falta de professores, o Ministério de Educação alterou temporariamente as regras que definem os requisitos para se poder dar aulas, permitindo a contratação direta de licenciados. Na verdade, este recurso já foi utilizado no passado, com maior evidência nos cursos tecnológicos, conferindo maior abrangência ao corpo docente e aproximando os estabelecimentos de ensino do mercado de trabalho, défice que as escolas continuam a ter. A maior parte destes professores contratados, alguns sucessivamente durante anos, saíram do sistema de ensino por vontade própria ou pela extinção das cadeiras e cursos que lecionavam. O Estado pouco se importou.

Já os sindicatos, que foram alertando para o problema dos contratados, estão agora preocupados com "cunhas" e temem que a contratação pelas escolas apresente mais problemas do que a contratação central. Mostram-se ainda apreensivos para a "baixa qualidade" destes professores.

Todos estão de acordo para a necessidade de mudança, mas quando quem representa uma classe profissional continua a mover-se como um partido político, é difícil avançar. E o tempo já é curto.

*Diretor-adjunto

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG