Opinião

Horários diferentes, problemas iguais

Horários diferentes, problemas iguais

As regras anunciadas por António Costa que vão entrar em vigor em Portugal Continental, na próxima terça-feira, aquando da passagem para situação de contingência, fazem sentido. Na grande maioria nem alteram substancialmente este período anormal que vivemos.

O desfasamento de horários de trabalho, quer das entradas e das saídas quer das pausas e das refeições, é a grande novidade. A medida, justificada para reduzir os ajuntamentos e os movimentos pendulares, será ainda objeto de consulta pelos parceiros sociais. A estes pede-se que não sigam o exemplo dos seus pares na área da Educação, que em nada contribuíram para a serenidade que se impunha para o arranque do novo ano escolar, para o bem dos alunos e dos encarregados de educação.

É preciso assegurar que este novo modelo de horários, sobretudo na Função Pública, não prejudique ainda mais o cidadão. Daqueles que, vítimas dos efeitos económicos da covid, precisam mais do que nunca de um atendimento presencial, por exemplo, num centro de emprego, na Segurança Social ou num centro de saúde. Que desespera horas a fio por um atendimento telefónico. Que desanima perante agendamentos com datas longínquas. Aos jovens foi também passada uma mensagem.

O Governo demorou a entender os convívios em parques e margens de rios por todo o país "marcados através das redes sociais", como António Costa fez questão de frisar. Agora, proíbe a venda de álcool nas estações de serviço, a partir das 20 horas, o seu consumo na via pública e limita a quatro pessoas por grupo nos restaurantes, cafés e pastelarias a 300 metros das escolas.

Muitas medidas que sem uma forte componente pedagógica terão pouco efeito. As autoridades de saúde não conseguiram chegar até aos jovens porque não foram ter com eles onde efetivamente estão, onde marcam as tais festas. Que aproveitem agora o arranque do ano escolar para o fazer.

Subdiretor

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG