Opinião

Brasil ainda tem tempo

Brasil ainda tem tempo

Ainda há esperança? A segunda volta das eleições presidenciais brasileiras vai ser disputada entre Bolsonaro e Haddad. Mas o que levou este domingo os brasileiros a votar num fascista, ditador, xenófobo, homofóbico e sexista para a presidência do Brasil?

Porque enquanto a Esquerda e os média esperavam o regresso de Lula, deixaram Jair Bolsonaro livre para ir conquistando o povo com doses de populismo. E quando se transforma um ditador num mártir, cria-se o protótipo certo para o voto daqueles que já estão fartos de tudo o resto. Entre corruptos e ditadores, os brasileiros preferem os segundos. Já conhecem o sabor dos primeiros.

Terão ainda pensado os eleitores que a ditadura brasileira, tantas vezes romantizada em novelas, até parece não ser assim tão má? Só assim se percebe que o Brasil possa eleger um homem "que seria incapaz de amar um filho homossexual, preferia que morresse num acidente". Só assim se percebe que o Brasil possa eleger um presidente "que se vir dois homens a beijar-se na rua, vai bater". Só assim se percebe que o Brasil possa eleger alguém que acha que "o erro da ditadura foi torturar e não matar". Só assim se percebe que o Brasil possa eleger um racista.

E, depois da eleição de Trump, a história pode repetir-se. Mas a surpresa é perceber que o Mundo de hoje nunca mais foi o mesmo desde a eleição do republicano norte-americano para a Casa Branca.

E a fórmula também se repete. A fórmula falaciosa que se tem revelado contagiosa por todo o Mundo. O que parecia ser uma exceção ganha formato de regra.

O Brasil pode estar a um passo de eleger um segundo Trump, mas com um "upgrade" inquietante. Mais fascista, mais ditador, mais xenófobo, mais sexista e com laivos de quem pode provar que na verdade Trump é um aprendiz de feiticeiro, da mesma forma que Trump fez de Bush um dos bonzinhos. Pior, é pensar que teremos de lutar e reivindicar tudo de novo.

* SUBDIRETOR

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