Opinião

Eles também são figuras do ano

Eles também são figuras do ano

Estamos a fechar mais um ano. Um ano em que devíamos celebrar todos os que trabalham para um país que não é perfeito, mas que está cheio de talento profissional, artístico, desportivo e político. Talento com nomes comuns.

Com nomes que nos enchem de orgulho, mesmo que a glória não ocupe o mesmo espaço mediático de outras estrelas portuguesas. É certo que para um país tão pequeno como o nosso ter Cristiano Ronaldo, Daniela Ruah ou Joana Vasconcelos é um motivo de satisfação. Mas um país pequeno torna-se ainda maior quando tem cidadãos que fazem tanto com tão pouco. Um país não se faz com alguns mas com todos.

Faz-se com Marta Paço, a jovem atleta invisual de Viana do Castelo, que, este mês, conquistou uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de Surf Adaptado.

Faz-se com Sílvia Nunes, a enfermeira que, sem conseguir emprego em Portugal, foi obrigada a emigrar para o Reino Unido, onde, em novembro, foi distinguida profissionalmente.

Faz-se com André Baptista, o conimbricense mestre pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que, em abril, venceu uma competição internacional de segurança informática e que tem como um dos seus maiores projetos trabalhar em Portugal.

E também se faz com os jovens da seleção portuguesa de futsal para atletas com síndrome de Down que, no mês passado, se sagrou campeã da Europa, e com as atletas da seleção portuguesa de futsal feminino que, em outubro, trouxeram o ouro da Argentina.

Talvez todo este talento não nos provoque as mesmas paixões que outros famosos. Talvez não nos façam suspirar todas as vezes que aparecem no ecrã. Mas não haverá nenhum português que não se encha de orgulho. Eles também são as figuras nacionais do ano.

Diretor-adjunto