Opinião

Esta crónica não é falsa

Esta crónica não é falsa

As fake news vão destruir a democracia. E daí? Quem se importa? Que partidos políticos estão a colocar na agenda o combate à praga? Afinal, a quem está a dar o seu dinheiro ou a entregar poder sempre que clica, partilha ou comenta uma notícia falsa?

As fake news são como algum vestuário que se compra nas feiras. Às vezes nem se percebe a diferença. E usamos os artigos sem hesitação, indiferentes se estamos a contribuir para um crime de contrafação.

E, tal como nas feiras, o embuste só se combate com legislação e ações de fiscalização, mesmo que isso signifique colocar a cabeça no cepo de grandes poderes económicos, de grandes líderes mundiais, de grandes potências. É preciso que os governos e a justiça não se acobardem e que façam algo antes que seja tarde demais para todos nós.

Mais uma vez, assistimos a uma epidemia. Desta vez, durante a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, vários empresários pagaram pela circulação de mensagens falsas contra o candidato Fernando Haddad. Facebook e WhatsApp reagiram. Bloquearam e apagaram.

Mas desenganemo-nos. Enquanto as fake news forem um modelo lucrativo para os emissores, mas sobretudo para os distribuidores, vão continuar a invadir as nossas redes sociais. O modelo funciona para políticos, para empresários, para grupos económicos. Não parece claro que haja de facto vontade política para combater a peste.

E também não chegam boas intenções, por muito mérito que tenham. Por cá, elogie-se, ao menos, a intenção de criar um observatório para os média digitais, que incluirá a monitorização de notícias falsas.

Porque, de resto, até os "influencers" digitais estão mais preocupados com "um até amanhã se Deus quiser" ou com o "beijo imposto do neto ao avô". Vai dar cliques e muitos likes. E essa é a verdade que de momento importa.

*DIRETOR-ADJUNTO

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