Opinião

Já é tarde para evitar a morte deles

Já é tarde para evitar a morte deles

O massacre na Escola Estadual Raul Brasil de Suzano revela o fracasso desse tal algoritmo que não permite fotos de uma mãe a amamentar ou de nus nas redes sociais, mas que também não lê, não identifica, nem avisa para a foto de um jovem armado e mascarado prestes a semear a morte. Antes do ataque, Guilherme Alan, de 17 anos, exibiu no seu perfil do Facebook a arma, com a indicação "a viajar para São Paulo", local onde se deu a tragédia. O algoritmo foi cego, surdo e mudo, como todos os seus seguidores. Não haveria ninguém que estranhasse os posts deste adolescente? Todos os dias somos incentivados a denunciar o vizinho que maltrata a mulher, o aluno que faz bullying ao professor, o patrão que faz assédio ao empregado, mas em que momento é compreensível que um menor armado se publicite nas redes sociais sem que ninguém o denuncie?

As fake news comparadas a estes avisos de assassinos são brincadeira. E sob a capa da proteção dos direitos de autor, andam os políticos europeus demasiado preocupados a estabelecer filtros para controlar youtubers e influencers.

Entretanto, vamos indo e rindo com os desafios virais, esses mesmos de atirar uma fatia de queijo à cara de uma criança ou outros que colocam a vida dos adolescentes em risco. É verdade que o YouTube até já proíbe "conteúdos que incentivem à violência ou atividades perigosas" e passou a proibir explicitamente "desafios e brincadeiras virais". Mas já percebemos que não chega.

A culpa do massacre em São Paulo, e de outros idênticos que chocam o Mundo, é também nossa. Usamos as redes, trabalhamos nas redes, vivemos em rede. Nós, os "algoritmos humanos", devemos estar mais atentos aos sinais que os Guilhermes deste Mundo nos dão. Porque se o anunciam é porque não fazem segredo. Podem ser travados. A arma não mata, quem mata são as pessoas que a empunham.

* DIRETOR-ADJUNTO

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