Opinião

"Já não posso mais"

Em que mundo é que vivemos? Verónica, uma espanhola de 32 anos, suicidou-se após um vídeo seu de cariz sexual, gravado há cinco anos, ter sido partilhado por WhatsApp num grupo de colegas da Iveco. Verónica enforcou-se. A culpa não foi do seu passado, das suas ações e muito menos da tecnologia, na forma de redes sociais.

A pergunta que inicia este texto repete-se. Que mundo é este e que país é aquele que deixa que uma adolescente de 17 anos cometa um suicídio assistido. Noa Pothoven anunciou a sua morte, depois de anos a sofrer de stress pós-traumático, depressão e anorexia, em consequência de abusos sexuais que sofreu em pequena. A mãe diz que Noa deveria ter sido colocada "num centro psiquiátrico, mas a lista de espera na Holanda é grande".

E que mundo é este em que uma rapariga, de 16 anos, da Malásia, põe termo à vida, depois de ter questionado os seus seguidores no Instagram se deveria morrer? 69% incentivaram a sua morte.

Que mundo é este? Que mundo é este que quer ser mais verde, mais limpo, mais smart, com mais inteligência artificial, com mais tudo e não é capaz de travar a morte de vítimas de cyberbullying e abusos sexuais?

Este é um mundo em que os valores estão a descer muito na pirâmide da humanidade, mas também em que cada vez mais as pessoas se unem nos alertas. É um mundo em que as redes sociais são o vilão e o herói em simultâneo. Não são as redes as culpadas. As redes são o instrumento, as pessoas são o cérebro.

A solução não é fechar a Internet ou apagar o Facebook, a solução é incluir uma componente social media nas escolas, uma educação de base para o uso e o comportamento online. O respeito pelos outros, pelas opiniões dos outros, pela diferença dos outros tem de acontecer todos os dias, de todas as formas. Online e offline.

* DIRETOR-ADJUNTO