Opinião

Não. De modo nenhum

O advérbio "não" tem estado nos últimos tempos em alta porque, vamos diretos ao assunto, parece que já ninguém o respeita.

Cristiano Ronaldo, que alegadamente não acatou um não, está a ver a sua vida profissional e pessoal toda posta em causa, por quem, curiosamente, não conhece a história, não conhece os factos e, provavelmente, nem conhece o texto original publicado pela revista alemã que expôs o caso. Portanto, não. Não se pode julgar em praça pública quem alegadamente parece não ter respeitado um não, porque as ferramentas necessárias para o fazer não existem.

A campanha #elenão, contra o homem que se preparara para ser presidente de um país que todos adoramos, também está a doer. Dói sobretudo a quem a defende e manifesta publicamente a sua opinião sobre o candidato à presidência do Brasil. São insultados e agredidos, em praça pública, por aqueles que argumentam que os de Esquerda, como na Venezuela, são muito piores que os de Direita. Não (voltando ao não), não há piores nem melhores. Ditaduras de Direita ou de Esquerda são igualmente más. Ditadores são ditadores. Mas se ainda assim o fascismo que se afigura no Brasil resolver os problemas desse país maravilhoso, então estou certo que os votantes de Bolsonaro em Portugal estão já a fazer as malas para regressar ao seu país, onde serão muito mais felizes do que aqui ou do que em outro país qualquer que não o seu. Não. A resposta também é não. Não estarão a fazer as malas, nem vão regressar, porque a democracia, de Direita ou de Esquerda, é muito melhor que qualquer ditadura.

E não também é a palavra mestra do caso do assalto a Tancos. Sabia do roubo? Não. Sabia do memorando? Não. O chefe de gabinete não informou? Não. Demite-se? Não.

Bom. Há outro não importante. A maior parte de nós não acredita em nada disto. E ainda bem.

* DIRETOR-ADJUNTO

ver mais vídeos