Opinião

O juiz na mira do populismo

O juiz na mira do populismo

Está oficialmente aberto o populismo em Portugal. O convite endereçado ao "superjuiz" Carlos Alexandre para encabeçar uma lista às eleições europeias de maio confirma o que já prevíamos: a onda de populismo chegou e está para ficar. E nem foi preciso um tsunami. Foi servida mesmo de bandeja pelos nossos políticos e pelos sucessivos escândalos dos nossos deputados.

O desafio lançado ao juiz que decretou a prisão preventiva de José Sócrates e de Ricardo Salgado partiu do Nós, Cidadãos!, através de um comunicado publicado na Internet. Na Internet, claro, onde nos habituamos a ler comentários do género: "O juiz Carlos Alexandre é que devia governar o país. Ele é que os metia a todos na cadeia". Eis que o rastilho está pronto para ser aceso e o populismo assumido prestes a explodir.

O magistrado português foi rápido a reagir. Rápido porque conhecia previamente a proposta. Apesar de ter recebido com satisfação o apelo "da sociedade civil", recusou o convite da força política que se identifica como partido dos movimentos cívicos, de centro-esquerda. Resta saber se Carlos Alexandre encostou a porta ou se ficou a espreitar pelo buraco da fechadura, já que o próprio líder do Nós! está confiante que o juiz "não quis aceitar o convite neste momento e que o futuro a Deus pertence".

Na verdade, o futuro do país pertence ao povo e, recorde-se, há um número importante de portugueses que dão sempre a maioria à abstenção em todas as eleições. São estes eleitores que podem, à força de uma mensagem populista, sair do conforto do sofá e fazer com que aquilo que parecia impossível volte a acontecer.

Não é preciso nenhum juiz para colocar Portugal na linha. Nem nenhum Bolsonaro ou Trump. Mas é preciso urgentemente que todos saibam que o populismo já anda por aqui.

Diretor-adjunto