Opinião

O ministro à luz das velas

O ministro à luz das velas

Marie Antoinette, talvez a mais famosa rainha de França, ao ser alertada que o povo não tinha pão e tinha fome, terá respondido: "Não têm pão, que comam brioches". Nos dias de hoje, e perante o conselho da impopular monarca, seríamos céleres a reagir e criaríamos a hashtag #nãotemnoção.

Pois na discussão da proposta do Orçamento do Estado para 2019 e questionado pelo BE sobre o alcance limitado da descida do IVA sobre a fatura elétrica, o ministro do Ambiente e Transição Energética também mostrou falta de senso. Aconselhou as famílias a mudarem para a potência contratada mais baixa para assim beneficiarem da redução para a taxa de 6% no próximo ano. "Quer pagar menos energia? Reduza a potência contratada", leia-se. Abdique dos seus eletrodomésticos e terá um desconto, entenda-se.

#nãotemnoção. Só assim se compreende que o ministro não tenha noção de que, para ter uma potência contratada de 3,45 KVA numa casa onde vivam quatro pessoas, poderá ter pouco mais do que um frigorífico, um fogão e a máquina de lavar roupa a trabalhar em simultâneo. Portanto, se queremos poupar, é fácil: não se carregam os telemóveis, não se liga a televisão nem se passa a roupa a ferro. E, com o inverno à porta se queremos mesmo poupar, o melhor é comprar uma mantinha e não ligar o aquecimento.

Num mundo cada vez mais tecnológico, onde o digital é sinónimo de qualidade de vida, temos um governante a aconselhar o retrocesso naquilo que todos conquistámos e adquirimos e que, na verdade, fazem parte da nossa vida, a tornam melhor e mais fácil. E nós, o povo, merecemos.

Do Japão chegaram notícias de que o ministro responsável pela cibersegurança nunca utilizou um computador. Mas em Portugal ainda temos de acreditar que os governantes já não vivam à luz das velas.

Diretor-adjunto

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