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Opinião

Políticos de memória curta

Políticos de memória curta

É bom saber que aqueles que durante vários anos fizeram um pacto de silêncio para manter em segredo a lista de quem recebe as chamadas pensões douradas estão agora preocupados com doações.

Também é bom recordar que no passado os mesmos partidos que agora estão tão preocupados com estas coisas que a Internet permite (doações online) apoiaram greves e manifestações sem qualquer preocupação de escrutínio. É positivo que a ASAE investigue a origem dos quase 800 mil euros já angariados pelos enfermeiros através de "crowdfunding". O que é estranho é o volte-face da mesma ASAE. Na quinta-feira, tinha esclarecido que nunca fez qualquer inspeção a estas plataformas desde que foram criadas (2014) porque, dizia, a legislação limitava a sua intervenção. Já no sábado, admitiu avançar com uma investigação sobre a origem destes fundos. O que mudou em apenas dois dias? O que mudou depois do PS ter anunciado que quer proibir as contribuições monetárias anónimas no "crowdfunding"?

É bom que todos os portugueses conheçam a origem dos fundos e se há incompatibilidade nas doações, até para acabar rapidamente com suspeições do interesse privado vs. público. E o trabalho da ASAE não será nenhuma cena digna de um episódio da série CSI: Miami. É que as doações online ficam registadas, facilmente se chegam aos dados do doador. No limite, há um endereço de IP. Ou alguém acha que há hackers a financiar enfermeiros?

E se queremos transparência, que tal os partidos políticos publicarem nos seus sites os nomes dos doadores privados e os respetivos comprovativos dos donativos? Talvez se defendam com o Regulamento Geral de Proteção de Dados. Mas, mesmo que a proteção de dados não se aplique a este caso, alguma desculpa se arranjará.

*DIRETOR-ADJUNTO