Opinião

Senhor populista, sirva-se!

Senhor populista, sirva-se!

Será que depois da revolução sem rosto em França, a Europa ficará na mesma? As eleições europeias de maio, onde se jogará uma dura batalha contra o populismo, poderão dar a resposta, mas se até lá a classe política continuar a ser um isco para os populistas corremos o risco de ficar com uma Europa sem alma. O Mundo está a dar sinais bem claros. Quase que grita.

O fenómeno dos "coletes amarelos" em Paris e a entrada da extrema-direita no Parlamento da Andaluzia são só os exemplos mais recentes de que nenhum país está a salvo de um populismo que anda à solta à procura de um poder que mudará o nosso modo de vida. Pois não nos admiremos se em breve Portugal tiver em mãos um problema idêntico. O país está a viver um mal-estar evidente que, apesar de parecer passar entre os pingos da chuva, já está a ser capitalizado por movimentos que se começam a organizar em torno das mesmas propostas e ideologias.

O país está a pôr-se a jeito. Coloca políticos e política no mesmo saco. Num saco que nem para a reciclagem poderá vir a servir. A falta de credibilidade e a indiferença cresce a um ritmo desenfreado entre aqueles que já olham, à partida, com desconfiança para os atores e decisores políticos. É evidente que há um descontentamento generalizado. Está à vista entre professores, bombeiros, polícias, guardas, funcionários judiciais, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e juízes. E não podemos achar que esta contestação social apenas se posiciona por estarmos a entrar em ano eleitoral.

Acresce um défice de transparência. Falsas presenças de deputados, votos por outros, viagens e subsídios pouco claros, seguros ilegais e conspiração fazem o Parlamento cheirar a dúvida e não chega aplicar ambientadores. É preciso uma lavagem.

É preciso que não se entregue tudo de mão beijada aos populistas, sob pena de perdermos o que conquistamos com cravos e sem tiros.

*Diretor-adjunto

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