Opinião

Sinfonia em Costa maior

Sinfonia em Costa maior

É certo que este Governo atingirá o clímax na reta final do "love making" com os portugueses.

O desfecho da legislatura será como uma grande sinfonia em que o maestro conduz os músicos até à apoteose, resultando numa ovação de pé. O maestro é António Costa, os músicos são os ministros e a aclamação será dada em forma de voto pelos portugueses. Resta saber se com maioria.

Até pode nem ser campanha eleitoral, na verdade, no estado em que o PSD está, quase nem precisa. Mas como diz o ditado popular: "à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer". Por isso, mesmo que António Costa afirme que "não, não arrancou a campanha eleitoral", a verdade é que já arrancou e com a força toda.

Na segunda-feira, anunciou um concurso para a aquisição de 22 novos comboios. Na terça-feira, assinou um acordo entre o Estado e o grupo francês Vinci para a construção do novo aeroporto do Montijo e para a ampliação do aeroporto Humberto Delgado. Na quarta-feira, comunicou que haverá novas estações e prolongamento da rede do metro de Lisboa. Ontem, apregoaram-se os milhões do Plano Nacional de Investimentos entre 2020 e 2030.

Hoje é sexta-feira e a orquestra continua em andamento, mesmo que alguns programas da manhã das televisões desviem, aqui e ali, a atenção da plateia.

Mas rejeitar a ideia de que o Governo está a lançar obras públicas por eleitoralismo é para a maioria dos portugueses muito difícil, especialmente para os professores, enfermeiros, guardas prisionais, funcionários judiciais, agentes da PJ e tantos outros que têm reclamado por melhores condições de vida.

Depois das cativações de Centeno, como se explica aos portugueses que só agora há dinheiro para tudo? Responda-se, mas apague-se da pauta que tudo está bem e que se pode gastar, contratar, abolir propinas, etc. Podemos cometer erros, mas convém que sejam diferentes.

*DIRETOR-ADJUNTO

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